122005mar

Este artigo analisa a não aderência ao tratamento em pacientes com esquizofrenia, que chega a 50%. Um grupo de pacientes portadores de esquizofrenia em tratamento ambulatorial foi acompanhada por um ano para que os médicos avaliassem a taxa de aderência e as principais diferenças entre pacientes aderentes e não aderentes.

 “Avaliação dos fatores de aderência ao tratamento medicamentoso entre pacientes brasileiros com esquizofrenia”. Moacyr Alexandro Rosa, Marcolin, M. A. and Elkis, H. Rev. Bras. Psiquiatr. 2005, vol.27, n.3, pp. 178-184.

INTRODUÇÃO: A não aderência ao tratamento em pacientes com esquizofrenia chega a 50%. Com a finalidade de avaliar a taxa de aderência e as principais diferenças entre pacientes aderentes e não aderentes, uma população de pacientes esquizofrênicos em tratamento ambulatorial foi acompanhada por um ano.

MÉTODOS: Cinquenta pacientes foram selecionados. Foi realizada uma entrevista clínica e aplicadas as escalas BPRS-A (Escala Breve de Avaliação Psiquiátrica – Versão Ancorada) e uma versão expandida da ROMI (Escala de Influências Medicamentosas) na avaliação basal. A BPRS-A foi utilizada nas visitas seguintes (cerca de uma vez por mês). A falta consecutiva a duas consultas sem explicação ou a ingestão de menos de 75% (segundo relato familiar escrito) da medicação foram consideradas não aderência ao tratamento.

RESULTADOS: A taxa de não aderência encontrada foi de 48% em um ano. O grupo não aderente teve uma piora na sintomatologia psicótica inicial (p < 0,05) e havia estado em tratamento por um tempo mais curto (p = 0,007). A escala ROMI mostrou que a “percepção de benefício diário” foi o fator mais associado à aderência e o sentimento de “desconforto por efeitos colaterais” estava mais associado à não aderência.

DISCUSSÃO: Este estudo avalia a frequência de não aderência e as principais razões para aderir ao tratamento numa população de pacientes esquizofrênicos.

CONCLUSÕES: A gravidade da sintomatologia pode ser um fator relacionado com a aderência, mas não necessariamente sua causa, bem como o tempo de duração do tratamento. As taxas de não aderência são altas e devem ser consideradas em qualquer programa de tratamento.

“Avaliação dos fatores de aderência ao tratamento medicamentoso entre pacientes brasileiros com esquizofrenia”. Moacyr Alexandro Rosa, Marcolin, M. A. and Elkis, H. Rev. Bras. Psiquiatr. 2005, vol.27, n.3, pp. 178-184.