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O uso da Cetamina no tratamento da Depressão

O que é a cetamina?

O cloridrato de cetamina, também conhecido como quetamina ou ketamina, é um anestésico dissociativo, com efeito hipnótico e características analgésicas, desenvolvido em meados da década de 60 e usado inicialmente com finalidades veterinárias.

A cetamina tem sido investigada com um potente efeito antidepressivo e abre uma linha inédita de estudos sobre a doença que afeta 20% da população mundial, quase 1,4 bilhão de pessoas.

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A cetamina é um anestésico que já foi e ainda pode ser utilizado para a realização de procedimentos de ECT (eletroconvulsoterapia), em algumas situações

Como surgiu a cetamina?

Ela foi sintetizada pela primeira vez em 1962 por Calvin Steves e nomeada inicialmente de “CI581″. Ainda na década de 60, a cetamina começou a ser utilizada como anestésico e foi aperfeiçoada para o atendimento dos soldados americanos durante a guerra do Vietnã.

Nos anos 90, a cetamina começou a ser usada de forma ilícita como alucinógeno e foi popularmente conhecida como uma “droga dos clubbers”.

Quais são os efeitos colaterais da cetamina?

Este anestésico apresenta entre seus efeitos colaterais alucinações, mas já existem formulações mais modernas que atenuam este efeito. Como qualquer medicamento, estes efeitos devem ser monitorizados.

A intensidade destes efeitos alucinógenos está relacionada com a dose consumida. Em doses sub-anestésicas, a cetamina produz um quadro psicótico semelhante ao da esquizofrenia. Os seus efeitos afetam as funções cognitivas e a percepção do próprio corpo, do tempo, do espaço e da realidade.

Em pequenas doses, seus efeitos variam de um suave entorpecimento, pensamento aéreo, tendência a tropeçar, movimentos desajeitados ou “robóticos”, sensações atrasadas ou reduzidas, vertigem, aumento de sociabilidade e um interesse de ver o mundo de uma maneira diferente.

Em doses mais elevadas, há uma dificuldade extrema de movimentos, náuseas, dissociação completa, experiência de quase morte, visões, apagões, etc.

A cetamina também é conhecida por causar mais dependência que a maior parte das substâncias alucinógenas.

Os principais efeitos da cetamina são comportamentais tais como: ansiedade, agitação, alterações da percepção (perda da noção do perigo, perturbações visuais), comprometimento da função motora e efeito analgésico. Desta forma, o uso indiscriminado pode provocar lesões, acidentes, dependência e neurotoxicidade.

A intoxicação aguda pode ser acentuada por substâncias depressoras do Sistema Nervoso Central (SNC) e do sistema respiratório como o etanol, opiáceos, barbitúricos e benzodiazepínicos, ou por compostos com efeitos cardioestimulantes como a cocaína e as anfetaminas.

A cetamina é uma substância segura?

Apesar destes efeitos colaterais, a cetamina é um anestésico com um bom perfil de segurança e as formulações mais modernas tendem a evitar este tipo de ocorrência.

A cetamina difere da maioria dos agentes anestésicos uma vez que parece estimular o sistema cardiovascular, produzindo um aumento na frequência e débito cardíacos e na pressão sanguínea. Em geral, estes efeitos não apresentam riscos para pacientes sem cardiopatia, sendo usada com cautela em indivíduos com hipertensão e doenças cerebrovasculares e contraindicada em pacientes com doença isquêmica.

Qual é mecanismo de ação da cetamina?

A cetamina regula o metabolismo do sistema límbico, córtex cingulado, hipocampo, córtex frontal, regiões muito complexas e responsáveis pela modulação do humor, cognição, autocontrole, entre outras funções.

Ela atua como um antagonista do receptor do N-metil-D-aspartato (NMDA), característica responsável pelos seus efeitos terapêuticos primários e regula as taxas do neurotransmissor excitatório, o glutamato, que em excesso é tóxico, podendo interromper as sinapses neuronais.

No entanto, também altera o funcionamento dos receptores dopaminérgicos, serotoninérgicos, colinérgicos e opióides e dos canais de sódio. A cetamina interfere na ação dos aminoácidos excitatórios incluindo o glutamato e o aspartato.

A cetamina é um antidepressivo?

O psiquiatra americano Carlos Zarate, chefe do programa de terapias experimentais para transtornos do humor e ansiedade do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, publicou na revista Science, o estudo que concluiu que a cetamina pode ter um potente e rápido efeito antidepressivo.

Desde 2004, Zarate e sua equipe, já trataram 120 pacientes. Segundo a revista Science, a cetamina é “indiscutivelmente a descoberta mais decisiva para o tratamento da depressão”.

Em 2006, Zarate e cols. (Archives of General Psychiatry), publicaram um estudo onde 17 pacientes portadores de depressão maior e refratários aos antidepressivos tradicionais, foram tratados com injeção de cetamina ou placebo. Dos 17 pacientes, 12 responderam ao tratamento, cinco deles obtiveram remissão da depressão.

Além disso, 6 pacientes mantiveram a melhora por pelo menos uma semana após uma única injeção. No grupo placebo, estes resultados não foram encontrados. De acordo com Zarate e col., o mais interessante é que o efeito é muito rápido, 24 horas após a injeção, os pacientes apresentavam melhoras equivalentes àquelas obtidas após 2 meses de uso dos antidepressivos comumente utilizados.

Qual são as perspectivas futuras da cetamina?

Nos Estados Unidos, a cetamina vem sendo administrada para casos graves, em emergências psiquiátricas, onde há risco de suicídio. No entanto, este uso ainda é “off-label”, ou seja, sem aprovação do órgão regulador americano, o FDA (Food and Drug Administration).

Neste momento, a cetamina está sendo pesquisada, portanto, ainda estamos em fase de investigação. Embora promissor, não há dados suficientes para ser considerado uma cura para a depressão. De acordo com a prática com este medicamento até o momento, os efeitos duram somente duas semanas. Assim, a cetamina age mais provavelmente como um estimulante do que como um antidepressivo e talvez venha a ser um complemento na fase aguda até que os remédios ou outros tratamentos comecem o seu efeito.

Desta maneira, ainda é cedo para avaliar o potencial do uso da cetamina no tratamento da depressão. Para quem sofre com a doença, os tratamentos disponíveis hoje, se acompanhados pelo psiquiatra, podem oferecer ao paciente ótima melhora e mais qualidade de vida.

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Dra. Marina Odebrecht Rosa, IPAN. 

 Confiara a matéria na Revista Veja!

Fonte Wikipedia!