242016out
Transtorno Bipolar, 40 dicas!

Recalcule a sua rota
Para que a doença não limite você a nada, sugerimos 40 dicas capazes de melhorar o diagnóstico e aumentar o impacto da terapia

Revista Transtorno Bipolar: Texto Jéssica Frabetti /Design Renan Oliveira

Saiba mais sobre tratamento do transtorno bipolar!

A estimulação magnética pode ser uma opção para tratamento do bipolar!

1 Aceite a doença. ”Quando o paciente aceita que precisa de tratamento psiquiátrico, esse processo torna-se mais fácil e eficaz” , destaca a psiquiatra Maria Cristina De Stefano.



2 Confie em especialistas. “A maioria das doenças se cura espontaneamente ou com quase interferência médica, porém, os transtornos mentais podem ser controlados, atenuados, e até curados, com um tratamento adequado”, indica Maria Cristina.


 
3 Respeite o tratamento. Ao receber a terapia indicada por um profissional, é importante integrá-los ao dia a dia , em doses e horários certos definidos pelo seu psiquiatra.


 
4 Durma bem. Especialistas indicam dormir ao menos 8 horas por noite. “O corpo cansado, exausto e estressado fica mais propenso a adoecer”, indica Maria Cristina.



 
5 Saiba o que evitar! Algumas substâncias, tanto lícitas (medicamentos em demasia, cigarro, café e álcool) quanto ilícitas (maconha, cocaína, LSD e crack), não são indicadas para quem tem o transtorno. “Elas modificam as funções e diminuem a vida dos neurônios”, destaca Maria Cristina. Além disso, um fator que pode contribuir para o desenvolvimento da bipolaridade é a dependência química.



 
6 Fuja do estresse negativo. “Uma pessoa submetida ao estresse constante e intenso tem mais chance de adoecer ou de ter uma crise emocional, principal desencadeante das alterações do humor”, afirma Maria Cristina.



 
7 Tchau pessimismo! Se possível, observe as pessoas com quem convive diariamente e evite indivíduos pessimistas, controladores estressados, tensos e explosivos. “As crises alheias podem agravar os seus sintomas. Busque manter relacionamentos com pessoas que influenciem sua vida de forma positiva, com calma, aceitação, compreensão e estabilidade”, destaca Maria Cristina.


 
8 Pratiquem atividades psicofísicas. Algumas práticas físicas feitas ao ar livre, por exemplo, são capazes de estimular o corpo e ainda fornecem sensações prazerosas, o que  ajuda estabilizar e manter o humor, pois isso libera endorfina, um dos neurotransmissores capazes de desligar a adrenalina, hormônio comum em situações de estresse.


 
9 Tenham companhia para exercitar-se. Nas fases de euforia , pode ser mais fácil manter atividades físicas, entretanto, em seu oposto, pode ser mais difícil. Por isso, procure companhias que estimulem, principalmente em momentos deprimidos. “Exercícios físicos facilitam uma neuroquímica mais equilibrada e acalmam a mente” afirma o hipnoterapeuta e psicólogo Bayard Galvão.


 
10 Busque tranquilidade. Seja através de caminhada tranquila, uma volta de bicicleta, olhar as nuvens passando no céu. Preste atenção nesses momentos que são apenas seus e faça deles os melhores.


 
11 Lazer é importante, sim! “Fazer algo que dá prazer é uma forma de manter o bom humor e a autoestima”, ressalta Maria Cristina.


 
12 Aprenda a ser espontâneo. O hábito tem capacidade de desenvolver a autoconfiança, importante para evolução do tratamento.


 
13 Frequente um acupunturista. “A técnica promove relaxamento, libera neurotransmissores importantes tanto para a recuperação de lesões cerebrais como periféricas, e, em consequência, evita crises”, recomenda a psiquiatra.



 
14 Descubra o toque.  Massagens podem liberar ocitocina, conhecida como hormônio do amor e, como efeito, além de ajudar no relaxamento, modula o humor e a ansiedade.



 
15 Atente-se ao seu prato. Quem tem a doença precisa manter uma alimentação balanceada, nem que seja preciso interferência médica ou nutricionista. “O transtorno bipolar pode levar a queda ou aumento do apetite, da voracidade à anorexia, portanto, o déficit de vitaminas no organismo, assim como a obesidade, agravam os sintomas de humor alterado”, aponta Maria Cristina.


 
16 Reduza (o máximo que puder) o açúcar! Essa dica é geral, porém cai muito bem para quem possui a doença. O açúcar em excesso pode levar à obesidade e aumentar a ansiedade. A cada dia, diminua um pouco e aprenda a dizer não à oferta de doces sem se sentir culpado ou constrangido.


 
17 Mantenha-se firme aos seus propósitos. “A assertividade é um dos componentes da saúde mental e pode ser aprendida e treinada nas sessões de psicoterapia”, comenta a psiquiatra Maria Cristina. Tal hábito pode ser liberador para quem sofre com ciclos de euforia-depressão.


 
18 Escreva e detalhe seu dia. Guardar anotações do seu dia a dia, de momentos que o deixam feliz ou o oposto, o que fez e o que deixou de fazer, é uma forma de entender o que acontece com você e o que está contribuindo ou não para a melhora da doença. “As anotações também vão contribuir para o controle dos efeitos das medicações e ajudam seu médico a ajuda-lo mais ainda”, destaca a psiquiatra.


 
19 Alimente (positivamente) a química do seu corpo. Busque se conhecer, observando momentos de irritabilidade, tristeza, desânimo, excesso de felicidade e inquietações. “Em seguida escreva o que teria passado pela sua cabeça ou acontecido à sua volta logo antes (até 15 minutos ) da emoção em questão. O tempo para o pensamento virar sentimento ( seja trazendo alegria, tristeza ou raiva) é de 0.2 segundo, tempo para um pensamento alterar a química do corpo, gerando o que se chama de emoção”, explica Bayard.


 
20 Aceite ajuda. Saiba que, mesmo buscando conquistar o controle, tudo bem receber ajuda. Isso, inclusive é uma ótima forma de acelerar o tratamento. “Guardar mágoas, ressentimentos e tristezas pode desencadear períodos depressivos. Aprender a desabafar sem buscar culpados nos liberta da raiva e nos leva a achar soluções realistas e possíveis, economizando nossa energia emocional”, comenta Maria Cristina.


 
21 Busque seu direito de tirar férias. Mesmo que seja autônomo, procure investir e separar um momento de descanso total, desligando-se o máximo possível. “O tempo de férias não deve ser menor de 20 dias, pois só neste período é que diminuem os hormônios do estresse”, recomenda a psiquiatra.


 
22 Realize-se no seu trabalho. Ok, pode parecer idealístico, mas você pode controlar isso também, buscando não acomodar-se. Invista em você até que o leve a um trabalho no qual se sinta gratificado e respeitado. “Mesmo não sendo fácil encontrar esse caminho, atuar em uma área de interesse e afinidade faz com que o trabalho seja recompensador e agradável”, evidencia Maria Cristina.


 
23 Adote um bichinho. Além de evitar o abandono, a adoção pode trazer estímulos surpreendentes para quem convive com a doença: “traz alegria, ensina a cuidar e a valorizar vida, seja ela qual for, liberta nossos interesses e instintos, além de desenvolver nossa compaixão”, comenta a psiquiatra. No entanto, a ação de cuidar deve ser pensada e realizada com responsabilidade.


 
24 Tenha em quem confiar. Principalmente em momentos de euforia, antes de tomar alguma decisão, verificar com alguém em quem confie se a compra, investimento ou atitude por fazer parece  ser boa. “Quando a pessoa está excessivamente alegre, é fácil tomar decisões de maneira inconsequente”, afirma Bayard.


 
25 Quando estiver muito triste, desvie a atenção. “Caso fique pesado demais lidar com a dificuldade sozinho, deixe para fazê-lo em consultório com o psicoterapeuta”, recomenda Bayard.


 
26 Tenha um mantra toda vez que pensar em suicídio. É um tema difícil de administrar, pois cada um lida com o momento de tristeza de uma forma. No entando, buscar entender esse pensamento negativo como um momento ruim, que a “tempestade passará”, ajuda a dissipar as “nuvens”.


 
27 Aproveite o presente! Em situações de tristeza, aprenda a valorizar o que você tem hoje e tudo de bom que a vida tem para oferecer no momento presente. “Não é incomum as pessoas tornarem insensíveis à realidade, buscando apenas felicidades intensas, relacionamentos perfeitos, sucessos sem esforço e variações, que quando confrontados com o mundo, este dá a impressão de ser sem graça e pouco, trazendo inúmeras tristezas e frustrações”, relata Bayard.


 
28 Relembre!  Sabe aquilo que você escreveu em algum momento de felicidade? Não hesite em revisitá-lo e reviver boas experiências e vivências. Mas cuidado! “A diferença entre saudade e nostalgia é que a primeira é saudável e alimenta a vida, a segunda, dificulta o presente e se torna uma areia movediça”, ressalta o psicólogo Bayard.



 
29 Cuide da sua felicidade. Para isso, é preciso entender que ela uma escolha e não um lugar para chegar! Por isso, deixe-se levar pelo caminho  mais alegre. Bayard exemplifica: “é fato que as pessoas não têm claro o que lhes dá prazer ou felicidade, mas sim o que elas acham que trará prazer. Um raciocínio para diferenciar um e outro é buscar nas lembranças e se perguntar: do que eu busco hoje que me trará felicidade, quanto eu já vivenciei de maneira similar a situação?”.


 
30 Leitura é poder. “Caso o paciente tenha medo de perder o emprego, ficar sem companheira(o) ou ficar doente, ele pode buscar sabedoria para viver bem com um pouco dinheiro, solteiro(a) e sabendo que um dia pode adoecer. Não foram poucos os que escreveram sobre estes assuntos, como Sêneca (filósofo do século I) e Montaigne (filósofo do século XVI)”, indica Bayard.


 
31 Faça um lista das ações importantes. “É essencial que as pessoas aprendam a fazer ações sem ter vontade, seja tomar banho, trabalhar, fazer exercício, estudar e todas as responsabilidades e necessidade para um viver saudável”, recomenda Bayard.


 
32 Não tenha vergonha. Tenha claro que não é só você que possui algum tipo de doença psiquiátrica. “Quanto mais tratamento, melhor, e não é preciso ter vergonha. Viver é simples apenas nas fantasias”, comenta o psicólogo.



 
33 Observe 3 prós e 3 contras em episódios de mania (euforia). “Na mania, também chamada de euforia, é fácil as pessoas tomarem decisões que, caso não foram pensadas, podem provocar muitos problemas, como comprar um carro novo ou pedir demissão de um emprego, arrependendo-se depois, quando não estiver em crise”, recomenda Bayard.


 
34 Evite, sempre que possível, grandes atitudes. Ou pelo menos toma-las sem avaliar a relação custo/benefício em curto, médio e longo prazo, pois emoções extremas tendem a atrapalhar o tratamento.


 
35 Busque alívio sempre que precisar. Não tenha vergonha em investir em você! Tenha, como compromisso, atividades minimamente prazerosas (ou que tragam alívio) semanalmente. “O ser humano precisa de doses diárias de prazer para ter uma vida mental saudável, seja um café da manhã agradável, ouvir boas músicas ou pintar”, indica Bayard.



 
36 Escreva (sim) para se entender! Especifique sempre os sintomas que sentiu em determinadas épocas e tudo o que também aconteceu no mesmo período. “Quando tornamos os nossos sentimentos claros para nós, eles se tornam mais superáveis”, destaca o psicólogo clínico.



 
37 Saiba quando espairecer. “Tenha sempre uma lista possível de distrações para os momentos em que a vida ficar mais pesada, seja jogos no celular, músicas no carro, academia, cinema ou apenas descansar. Distrair-se das dores as anestesia momentaneamente”, aconselha Bayard.



 
38 Busque sempre entender a origem. O que deixou triste ou muito eufórico em um certo episódio pode ter uma causa maior. “Muitas pessoas acreditam que qualquer coisa as fez ou faz mudar repentinamente de humor, sem razão alguma. Mas a realidade é que essa alteração tende a ser um gatilho que fora disparado, com ou sem percepção da própria pessoa”, explica Bayard. Se necessário, conserve com o seu médico para entenderem juntos o que cada emoção significou.



 
39 Analise se feriu alguém. “escrever num papel ou celular os pensamentos que machucaram alguma pessoa ao longo do dia, não importa se for sobre relacionamentos, profissão, autoestima ou outro, poderão fornecer dados muito importantes para a superação do sofrimento atual, principalmente se trabalho com um psicólogo”, detalha Bayard.




 
40 Respire. Sim, o ato é involuntário, mas quando você traz a atenção para a sua respiração, isso o faz relaxar, seja qual for o momento. Imagine o ar entrando, preenchendo suas cavidades, células, e solte o ar com calma, liberando qualquer tensão, seja de corpo ou da mente.

Revista Transtorno Bipolar – 40 – Ano 2, N. 2 – 2016