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preconceito ipan tratamentoDiagnóstico da doença é o desafio dos médicos e pode demorar dez anos

O preconceito está entre as principais dificuldades enfrentadas pelas pessoas portadoras de transtorno bipolar. Conhecida como psicofobia, essa discriminação é o que a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) quer combater com a campanha “A Sociedade Contra o Preconceito”, lançada no 30º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que termina hoje em Natal, no Rio Grande do Norte. A iniciativa busca informar sobre a doença, que afeta 2,2% da população – cerca de 4 milhões de brasileiros.

Para os médicos, o grande desafio é identificar o transtorno, caracterizado por crises de euforia (mania) e depressão (veja quadro ao lado). “A maioria dos casos leva cerca de dez anos para se fazer o diagnostico correto, o que torna um problema de saúde grave. Pacientes demonstram apenas uma face, como a depressão e, depois de tempos, apresentam a euforia, o período de mania”, diz o presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva.

Segundo ele, o transtorno, que tem alto grau de herdabilidade – ou seja, é genético -, costuma apresentar os primeiros sinais entre 15 e 19 anos de idade. “É um período de superprodução na vida, estresse, conflito social, possibilidade de envolvimento com álcool e drogas, que são fatores que podem desencadeá-lo”, explica.

Para identificar alguns sintomas, o psiquiatra Fábio Gomes de Matos e Souza, professor associado da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que o bipolar é exagerado com o que se envolve. “O bipolar é ‘demais’. Ele ama demais, gasta demais, come demais, bebe demais. É um conjunto de ‘demais’ ao longo do tempo”, fala.

Segundo a psiquiatra Ângela Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtono Bipolar, o tratamento é feito com medicamentos, como estabilizadores de humor e antipsicóticos, associados a exercícios físicos, psicoterapia, psicoeducação (orientação ao paciente, aos familiares e a pessoas do convívio dele), entre outras abordagens. “Se a doença não for controlada, ela leva a perdas neuronais. O paciente (bipolar) tem a necessidade de medicamento, como o diabético com a insulina”, alerta Ângela.

A médica destaca, porém, que efeitos colaterais como as disfunções sexuais e o aumento do peso, levam alguns pacientes a abandonarem o tratamento.

Assim, os especialistas acreditam que a informação sobre o transtorno é a maior ferramenta para a qualidade de vida do paciente. “A psicoeducação é o que mais precisamos. O preconceito está exatamente aí, pois as pessoas não sabem do que (o transtorno bipolar) se trata”, diz Silva. “O ‘louco’ de todo gênero é associado à violência”, destaca o secretário geral da ABP, Luiz Carlos Illafont Coronel.

Mas, quando o transtorno é tratado corretamente, o paciente pode levar um estilo de vida sem crises. Esse é o exemplo de pessoas famosas, como a atriz brasileira Cássia Kis Magro, a atriz galesa Catherine Zeta-Jones e o ator belga Jean-Claude Van Damme, que assumiram publicamente a questão.

“Tratamos de doenças crônicas, que têm o componente genético. Como não temos ainda a terapia genética, a luz no fim do túnel é o paciente ficar bem”, diz Souza.

Confira a notícia do Jornal Montes Claros.com:

http://jornalmontesclaros.com/2012/10/13/campanha-busca-combater-o-preconceito-contra-bipolares.html