EMTr versus ECT: Definição | Histórico | Indicações | Contraindicações | Procedimento | Tratamento | Características Técnicas | Efeitos Colaterais


A estimulação magnética transcraniana (EMTr) e a eletroconvulsoterapia (ECT) são tratamentos distintos, porém, com algumas semelhanças, pois ambos estimulam o cérebro e alteram a atividade dos neurônios.

A indicação de EMTr ou ECT é avaliada cuidadosamente pelo psiquiatra para que o paciente tenha o melhor para suas necessidades. Lembramos que os profissionais do IPAN são pesquisadores de técnicas de Neuroestimulação e possuem experiência internacional nestes tratamentos.

Definição: EMTr versus ECT

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Aparelho de EMT

Tanto a EMTr quanto a ECT são técnicas que tem como objetivo modular os neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, e com isso modificar o humor e restabelecer o funcionamento cerebral.

A EMTr utiliza estímulo magnético por meio de uma bobina colocada na cabeça do paciente, com a finalidade de estimular ou inibir áreas específicas do cérebro, dependendo do objetivo terapêutico.

Já a ECT é uma estimulação elétrica do cérebro que induz disparos rítmicos autolimitados em todo o hemisfério cerebral.



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Aparelho de ECT

Histórico: EMTr versus ECT

Em 1831, Michael Faraday descobriu que a energia elétrica podia ser convertida em campos magnéticos e vice-versa. Em 1896, o médico, físico e inventor francês Jacques-Arsène D’Arsonval começou a pesquisar os efeitos do magnetismo sobre as emoções. Por volta de 1940, foram iniciadas pesquisas com estímulos magnéticos na fisiologia animal. Mas foi só em 1985, na Grã-Bretanha, que surgiu o primeiro equipamento estimulador magnético.

A ECT surgiu 1938, com os neuropsiquiatras italianos Ugo Cerletti e Lucio Bini. Em 1959, foi introduzida a anestesia durante o procedimento. Nos anos 70, foram desenvolvidos aparelhos que permitem controle preciso da carga fornecida, e também houve a inserção da oxigenação, de relaxantes musculares e monitoração detalhada das funções vitais.

Indicações: EMTr versus ECT

A EMTr é indicada para depressão, sendo mais recomendada para depressões leves e moderadas, mas também pode ser utilizada em casos graves, refratários, recorrentes e intolerantes aos efeitos colaterais das medicações. Além disso, ela é indicada para a esquizofrenia (nas alucinações auditivas).

A ECT costuma ser indicada para depressões mais graves, como por exemplo: quando há risco de suicídio; na depressão psicótica; em casos recorrentes, refratários e na presença de catatonia. A ECT também é indicada em situações nas quais outros tratamentos são mais arriscados devido aos efeitos colaterais, como, por exemplo, em pacientes idosos, durante a gestação e amamentação.

Contraindicações: EMTr versus ECT

A EMTr é contraindicada para pessoas que sofreram algum tipo de neurocirurgia (com clipe metálico inserido), ou que possuem aparelho biomédico (como marca-passo), e em casos de epilepsia não tratada.

Na atualidade, não há contraindicações absolutas para a ECT, apenas cuidados especiais, principalmente em pacientes com lesões cerebrais graves e alterações cardiovasculares instáveis e não tratadas.

Procedimento: EMTr versus ECT

As sessões de EMTr são realizadas no consultório médico, com o paciente acordado, confortavelmente sentado em uma poltrona, e apto a ir para casa ao término da sessão.

O tratamento com ECT é realizado em ambiente hospitalar, com anestesia geral, relaxante muscular e todos os equipamentos necessários para garantir uma aplicação segura e tranquila. A sessão dura apenas alguns minutos e o paciente recebe alta logo após o término.

O número de aplicações, tanto para EMTr quanto ECT, não é padronizado, pois deve ser definido individualmente para cada caso. Em geral, são indicadas de 15 a 20 aplicações de EMTr e de 6 a 12 sessões de ECT, mas isto depende de alguns fatores, tais como: diagnóstico, gravidade, refratariedade, cronicidade, idade, complicações clínicas, tolerância aos efeitos colaterais, entre outros.



Cínica de ECT - IPAN

Cínica de ECT – IPAN

Tratamento: EMTr versus ECT

A ECT é aplicada de duas a três vezes por semana, enquanto que a EMTr é aplicada diariamente (com intervalo aos fins de semana).

Após o tratamento inicial, e se houver indicação, é recomendável a manutenção de ambas (EMTr ou ECT), reduzindo-se gradativamente as sessões/aplicações conforme acompanhamento médico.

Características técnicas: EMTr versus ECT

Os aparelhos de EMTr estimulam o córtex cerebral, já a ECT atinge regiões mais profundas, chegando ao tecido cerebral por meio de estímulos elétricos.

Efeitos colaterais: EMTr versus ECT

A EMTr possui poucos efeitos colaterais. Algumas pessoas têm dor de cabeça e vermelhidão no local da aplicação, mas estes sintomas melhoram espontaneamente ou com uso de analgésicos comuns. Também podem sentir desconforto no ouvido, em decorrência do barulho produzido pelo estimulador, que pode ser evitado com a utilização de protetores auriculares.

O efeito colateral mais sério da ECT é a perda de memória, no entanto, o uso da técnica modificada costuma aliviar esse efeito. Também são relatados dor de cabeça e/ou muscular e enjoo, que podem ser tratados facilmente.

Dra. Marina Odebrecht Rosa, CRM: 107447 – SP | RQE: 47901. Dr. Moacyr Alexandro Rosa, diretor técnico, CRM: 69816 – SP | RQE: 47876. IPAN – Instituto de Psiquiatria Avançada e Neuromodulação.

Referências:

  • Abrams, R. Electroconvulsive Therapy, 4th Ed., Oxford University Press, New York, NY, 2002.
  • Conrad Swartz. (Org.). Electroconvulsive and Neuromodulation Therapies. 1 ed. New York: Cambridge University Press; 1 edition, v. 1, p. 276-286, March 2, 2009.
  • Mankad M, Beyer JL, Weiner RD, Krystal A. Clinical Manual of Electroconvulsive Therapy.
  • Marina Odebrecht Rosa, Gattaz WF, Moacyr Alexandro Rosa, et al. “Effects of repetitive transcranial magnetic stimulation on auditory hallucinations refractory to clozapine”. J Clin Psychiatry. 2007 Oct;68(10):1528-32.
  • Moacyr Alexandro Rosa, Marina Odebrecht Rosa. Fundamentos da Eletroconvulsoterapia. Editora Artmed, 2015.
  • Moacyr Alexandro Rosa, Marina Odebrecht Rosa. Guia Básico de Estimulação Magnética Transcraniana em Psiquiatria 2ª edição. Editora Sarvier, 2013.
  • Moacyr Alexandro Rosa, Gattaz WF, Pascual-Leone A, Fregni F, Marina Odebrecht Rosa, et al. “Comparison of repetitive transcranial magnetic stimulation and electroconvulsive therapy in unipolar non-psychotic refractory depression: a randomized, single-blind study”. Int J Neuropsychopharmacol. 2006 Dec;9(6):667-76.