O que é Eletroconvulsoterapia? | É um tratamento ultrapassado? | O que é a “técnica modernizada” de Eletroconvulsoterapia? | O que é a “técnica avançada” de Eletroconvulsoterapia? | É indolor? | Como são as aplicações? | Quantas sessões são necessárias? | Qual a frequencia das aplicações? | Existe tratamento de manutenção? | Quais são as indicações? | Quais são as contraindicações? | Quais os efeitos colaterais? | A Eletroconvulsoterapia prejudica a memória? | Quais são os cuidados necessários? | Posso tomar minhas medicações durante o tratamento? | É um tratamento seguro? | Qual é a eficácia da Eletroconvulsoterapia? | O que Magnetoconvulsoterapia?

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O que é Eletroconvulsoterapia?

É uma técnica que existe desde 1938 e que, atualmente, utiliza-se de aparelhagens modernas e avançadas, além de anestésicos, para produzir estímulos elétricos no cérebro que induzem disparos rítmicos autolimitados. Com isso, ocorre um equilíbrio nos neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina, glutamato e restabelece a normalidade do funcionamento.

A Eletroconvulsoterapia é um tratamento ultrapassado?

De forma nenhuma. meetingO tratamento é especializado e seguro, utilizado nos principais centros médicos do mundo. Podemos até dizer que a ECT realizada atualmente é outro tratamento, bem diferente do antigo.


O que é a “técnica modernizada” de Eletroconvulsoterapia?

A ECT aplicada atualmente é denominada uma técnica modernizada por:

• ser realizada com anestesia;
• ser aplicada em ambiente hospitalar;
• utilizar-se de aparelhagens de última geração;
• ser ministrada por profissionais especialistas e com equipes treinadas.

A técnica é indolor pelo uso de anestesia geral, dura cerca de 3 a 5 minutos. Além disso, utiliza-se de relaxante muscular para amenizar os efeitos desencadeados por disparos rítmicos autolimitados. E por fim, exige o uso de oxigenação por máscara para evitar qualquer tipo de dano cerebral. Lembramos que, conforme indicação médica, outras medicações podem ser necessárias.

O que é a “técnica avançada” de Eletroconvulsoterapia?

É a que apresenta eficácia e perfil benigno de efeitos colaterais, principalmente o de memória. Difere da técnica antiga, pois utiliza um tipo de onda de pulso breve e ultrabreve, parecido com a onda fisiológica do nosso organismo. Difere também em relação à localização dos eletrodos: Unilateral, ou seja, aplicados apenas de um lado da cabeça, preservando a memória. E, por fim, a intensidade do estímulo é calculada individualmente para se adequar a cada paciente. Todas estas características tornam a ECT mais sensível, eficaz e segura, e com poucos efeitos colaterais.

A Eletroconvulsoterapia é um tratamento indolor?

Sim, pois a utilização da técnica modernizada, com anestesia, permite isso.


Como são as aplicações?

Cínica de ECT - IPAN

Cínica de ECT – IPAN


Em primeiro lugar, vale ressaltar que antes do início e ao longo do tratamento, todos os pacientes são avaliados. As aplicações, ministradas por psiquiatras devidamente especializados, são realizadas em ambiente hospitalar, com o uso da técnica modernizada e avançada.

O paciente deve chegar ao hospital em jejum absoluto de 8 horas e, após ser acolhido na recepção, ser avaliado pelas equipes de enfermagem, psiquiátrica e anestesia.

No centro cirúrgico, é realizada a infusão das medicações (anestésico, relaxante muscular e outras, se houver indicação), por meio de acesso venoso (procedimento que pode ser incômodo). Quando o paciente estiver completamente anestesiado (inconsciente), é feito o estímulo elétrico, com duração de 2 a 8 segundos. O estímulo elétrico desencadeia disparos rítmicos cerebrais autolimitados de aproximadamente 20 segundos, praticamente imperceptível.

Durante todo o processo, o paciente fará uso de oxigenação por máscara. Em seguida, ao retomar a consciência, fará um lanche leve, será avaliado pela equipe e liberado para deixar o hospital.

Quantas sessões são necessárias?

O número de aplicações não é padronizado e há um consenso de que não deva ser previamente fixado, pois depende de alguns fatores, como: diagnóstico, gravidade, tolerância às alterações cognitivas, idade, complicações clínicas, entre outros. A maioria dos pacientes requer entre 6 a 12 sessões. Em geral, são necessárias de 6 a 8 sessões para alcançar o resultado desejado.

Qual é a frequência das aplicações?

O tratamento é realizado três vezes por semana, em dias alternados (segunda, quarta e sexta-feira), esquema que permite o equilíbrio entre a velocidade da resposta clínica e o tempo entre as aplicações para que haja a recuperação completa.

Existe tratamento de manutenção?

Quando há melhora clínica, o tratamento de manutenção é indicado, porém, sua administração fica a critério do psiquiatra e vontade do paciente. De qualquer forma, recomenda-se a redução gradativa das aplicações (por exemplo: semanal, quinzenal ou mensal, conforme avaliação e indicação).

Quais são as indicações?

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A principal indicação é no tratamento da depressão. E pode ser realizada em todos os tipos: moderada, grave, refratária, unipolar, bipolar, catatônica, ansiosa, com ou sem sintomas psicóticos. Também é indicada quando a depressão está associada a transtornos de personalidade, como distimia, doença orgânica e na gestação. Nesta última, é a primeira indicação, por ter um perfil benigno de efeitos colaterais e não possuir ação teratogênica.

Também é utilizada quando há risco de suicídio, refratariedade e catatonia, ou seja, em quadros mais graves. Outras indicações são: síndrome neuroléptica maligna, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), esquizofrenia, doença de Parkinson e epilepsia.

Quais são as contraindicações?

Não há contraindicações para o tratamento, apenas cuidados especiais em casos de lesões cerebrais graves e de alterações cardiovasculares instáveis e não tratadas.

Quais são os efeitos colaterais?

O efeito colateral mais temido é a perda de memória que, com o uso de técnicas modernizadas e avançadas, praticamente é nulo. Foram relatados efeitos como dor de cabeça, enjoo e dor muscular, mas todos são facilmente tratados.

A Eletroconvulsoterapia prejudica a memória?

Esta é uma das maiores preocupações da administração da técnica. Em alguns casos, a depressão, por si só, pode estar acompanhada de profundas alterações cognitivas e, em alguns casos, apresentar semelhança com quadros demenciais. Nestes quadros, a ECT pode ser responsável por uma importante melhora da memória.

As alterações de memória induzidas pela ECT variam de acordo com vários fatores, como: tipo de onda utilizado para o estímulo (menor alteração com ondas de pulso breve e ultrabreve), intensidade do estímulo, número e frequência de aplicações (quanto menor a intensidade, o número e a frequência, menos alterações), técnica utilizada (a ECT bilateral promove muito mais efeitos cognitivos que a unilateral), idade do paciente (idosos são mais sensíveis), e, por fim, presença ou não de disfunção cerebral preexistente. Em outros casos pode haver esquecimento, principalmente de fatos ocorridos próximos às aplicações. No entanto, isto se resolve após o término do tratamento.

Quais são os cuidados necessários?

Jejum absoluto de 8 horas antes das aplicações, remoção de próteses dentárias, portar os exames, tomar as medicações anti-hipertensivas, se houver. Também é recomendado: não dirigir, não operar máquinas e não tomar decisões importantes durante o tratamento. Se não houver problemas, seguir com as atividades diárias normalmente.

Posso tomar minhas medicações durante o tratamento?

Em geral, sim, a maioria das medicações pode ser continuada durante o tratamento com ECT. No entanto, existem medicações que exigem atenção especial, por isso, é importante informar o médico para obter orientações. Tratamentos para hipertensão e diabetes, a princípio, devem ser mantidos.

A Eletroconvulsoterapia é um tratamento seguro?

ECT - IPAN

ECT – IPAN

Extremamente seguro. A taxa de mortalidade é estimada em 0,1% a 0,01%, que corresponde ao risco da própria indução anestésica. A principal causa de morte se deve a complicações cardiovasculares, mas, com o uso criterioso da técnica, esse risco é reduzido.

Qual é a eficácia da Eletroconvulsoterapia?

É tão ou mais eficaz que qualquer outro tratamento antidepressivo. Pesquisas confirmaram sua eficácia e, também, superioridade em relação às medicações. Nos casos de episódios depressivos primários, a taxa de remissão com a utilização da ECT foi estimada em 80-90%, enquanto que, com medicações, foi de apenas 60-70%.

O que é Magnetoconvulsoterapia?

Também chamada de terapia convulsiva magnética, é uma técnica recente, que permite a indução de disparos rítmicos cerebrais autolimitados com Estimulação Magnética Transcraniana. Estima-se que poderá substituir a ECT e se tornar uma revolução na psiquiatria, mas, para isso, é preciso que atinja eficácia equivalente à ECT, e seja mais segura quanto aos efeitos colaterais e possíveis complicações. A primeira sessão aconteceu na cidade de Bern, na Suíça, em 2000. Já foram realizados estudos em pacientes nos EUA e na Alemanha, com resultados promissores. Sabe-se que com a Magnetoconvulsoterapia a perda de memória é praticamente inexistente, pois a estimulação é mais focada. Em breve, possivelmente o tratamento estará disponível no Brasil.