O que é? | Como surgiu? | Está aprovada? | Como funciona? | Quais as indicações? | Quais as contraindicações? | Quais os efeitos colaterais?| Quem realiza as aplicações? | Como são as aplicações? | Quantas sessões?| Qual a frequência? | Qual é a duração da sessão? | Existe algum cuidado especial? | Qual a eficácia? | Como é a manutenção? | Posso tomar minhas medicações durante a aplicação? | É seguro? | Existem complicações? | O que é Estimulação Magnética Profunda?

O que é Estimulação Magnética Transcraniana?

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É uma técnica inovadora no tratamento da depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e de outras doenças psiquiátricas, que utiliza ondas magnéticas para restabelecer o funcionamento cerebral.

Como surgiu?

D'Arsonval com o aparelho de EMT

D’Arsonval com o aparelho de EMT

Surgiu no Séc. XIX, em 1896, quando o médico, físico e inventor francês Jacques-Arsène D’Arsonval começou a pesquisar os efeitos do magnetismo sobre as emoções.

Já nos anos 40, iniciaram-se pesquisas com estímulos magnéticos na fisiologia animal, sendo que o primeiro equipamento estimulador magnético semelhante ao utilizado hoje surgiu, em 1985, na Grã-Bretanha.

Nos anos 90, a técnica começou a ser pesquisada e utilizada em estudos nos Estados Unidos e, em 1992, a estimulação magnética começou a ser aplicada na psiquiatria, com resultados surpreendentes no tratamento da depressão, esquizofrenia e de outras doenças.

A estimulação magnética está aprovada para tratamento clínico?

Sim. Em 2002, foi aprovado o uso da estimulação magnética no Canadá, e em outubro de 2008, nos EUA. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamentou o uso do aparelho de EMTr em março de 2007, e, em maio de 2012, o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou o uso da EMTr como procedimento médico nos tratamentos de depressão e esquizofrenia.

Em dezembro de 2012, a Câmara Técnica Permanente da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) aprovou o reembolso dos convênios para o tratamento com EMTr.

Atualmente, a estimulação magnética vem sendo amplamente estudada em diversas outras doenças, tais como: dependência química (principalmente cocaína, maconha, crack e tabagismo), síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), distimia, transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), síndrome de Tourette, epilepsia, zumbido, doença de Parkinson, transtorno bipolar, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), fibromialgia, dor crônica e demências.

Como funciona?

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Mecanismo de ação da EMT

Por meio de ondas magnéticas, geradas por um equipamento desenvolvido especialmente para esta técnica, é feita a estimulação ou a inibição de áreas específicas do cérebro, com o objetivo de restabelecer o funcionamento cerebral. De uma forma geral, essas ondas magnéticas modulam os neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar.


Quais são as indicações?

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O CFM (Conselho Federal de Medicina) regulamentou o uso da estimulação magnética e publicou uma resolução determinando o uso exclusivamente por médicos, nas seguintes situações:
– Depressão unipolar;
– Depressão bipolar;
– Esquizofrenia (nas alucinações auditivas);
– Planejamento de neurocirurgia.

A estimulação magnética é utilizada com sucesso em depressões leve e moderada. Pode ser utilizada em quadros refratários e intolerantes aos efeitos colaterais das medicações.

Pode estar indicada em outros transtornos mentais quando há um quadro depressivo associado.

No entanto, cada caso deve ser avaliado separadamente e com muita cautela.

Quais são as contraindicações?

Não é indicada a pessoas que sofreram algum tipo de neurocirurgia (com clipe metálico inserido), que possuem aparelho biomédico (como marca-passo), e em casos de epilepsia não tratada. No entanto, cada caso deve ser avaliado separadamente pelo médico psiquiatra.

Quais são os efeitos colaterais?

A técnica praticamente não apresenta efeitos colaterais e é bem tolerada pelos pacientes. Algumas pessoas podem ter leves dores de cabeça e vermelhidão no local da aplicação, que melhoram com analgésicos comuns. Pode surgir certo desconforto no ouvido, em decorrência do barulho produzido pelo estimulador, mas este pode ser evitado com a utilização de protetores auriculares.

Quem realiza as aplicações?

Conforme a resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina), o tratamento deve ser realizado pelo médico. É um procedimento que trata doenças, gera efeitos terapêuticos, efeitos colaterais e alguns riscos, por isso é fundamental que as aplicações sejam realizadas por médicos devidamente treinados.

Todos os profissionais do IPAN são médicos psiquiatras e, em sua maioria, realizaram cursos nas Universidades de Harvard, Columbia e Duke (USA).


Como são as aplicações?


Estimulação magnética - IPAN

O médico determina o ponto específico da cabeça do paciente a ser estimulado e posiciona a bobina eletromagnética. Ao ser ativado, o dispositivo cria um campo magnético pulsado, similar ao de um aparelho de ressonância magnética, que induz correntes eletromagnéticas diretamente para o cérebro.

O tratamento é realizado no consultório, com o paciente acordado e confortavelmente sentado em uma poltrona. Ao término da sessão, o paciente pode voltar para casa, lembrando que, antes do início e ao longo do tratamento, é devidamente acompanhado pelo psiquiatra.

Quantas sessões são necessárias?

O número de aplicações não segue um padrão determinado e há um consenso de que não deve ser previamente fixado, pois depende de vários fatores como: diagnóstico, gravidade, refratariedade e cronicidade. Mas pode-se dizer que a maioria dos pacientes requer entre 15 a 20 sessões.

Qual é a frequência das aplicações?

Diária (de segunda a sexta-feira, com intervalo aos fins de semana), até que o efeito terapêutico seja atingido. Após a etapa inicial, será ministrado um tratamento de manutenção com sessões gradativamente espaçadas.

Qual é a duração da sessão?

Cada sessão de estimulação magnética dura, aproximadamente, 30 minutos.

Existe algum tipo de cuidado especial?

Não, durante o tratamento as atividades rotineiras dos pacientes podem ser seguidas normalmente, como trabalhar, estudar, se exercitar e etc.

Qual é a eficácia do tratamento?

Em primeiro lugar, é preciso dizer que a eficácia da estimulação magnética está relacionada à: indicação correta, diagnóstico, gravidade, cronicidade, refratariedade de cada caso, número adequado de sessões, aplicação correta da técnica, entre outros. A taxa de eficácia gira em torno de 50 a 70%.

Como é feito o tratamento de manutenção?

Quando há resposta positiva, recomenda-se a manutenção das aplicações com redução gradativa na frequência, que pode ser semanal, quinzenal ou mensal, conforme avaliação e indicação.

Posso tomar minhas medicações durante as aplicações?

Em geral, sim, a maioria das medicações pode ser continuada ao longo das sessões.

É um tratamento seguro?

Sim, extremamente seguro. Porém, é importante ser realizado por médicos especialistas, como determina a resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina).

Existem complicações?

O que inspira cuidados na prática da estimulação magnética é o risco da indução de convulsões. No entanto, quando o tratamento é realizado por médicos especialistas este risco é praticamente inexistente.

O que é Estimulação Magnética Profunda?

Estimulação Magnética Profunda

Estimulação Magnética Profunda – Brainsway

É um novo modelo de estimulação magnética, criado pela equipe de Israel – a Brainsway (no inglês: deep transcranial magnética stimulation – deep TMS). A principal mudança está na forma da “bobina em H”, que atinge regiões cerebrais mais profundas e abrangentes, com o objetivo de aumentar a eficácia do tratamento.

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Estimulação Magnética Profunda – Duplo Cone

Outros tipos de bobinas, como a “Duplo Cone”, conseguem atingir áreas mais profundas do cérebro, de forma semelhante à bobina da Brainsway de estimulação profunda.

Em 2009, a equipe do IPAN acompanhou a aplicação desta nova técnica na Universidade de Columbia e pôde contribuir com os avanços no tratamento da depressão.

Em 10 de janeiro de 2013, a estimulação magnética profunda foi aprovada, nos EUA, pelo FDA (Food and Drug Administration), para o tratamento da depressão que não responde a antidepressivos e, recentemente, recebeu aprovação da ANVISA (D.O.U. 07/07/2014).