O que é Transtorno Afetivo Bipolar? 

O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é um transtorno caracterizado por alterações recorrentes do humor que oscila entre fases depressivas e de euforia (mania). Esta oscilação de humor, pode ocorrer no mesmo dia ou em períodos mais longos, como por exemplo de dias, semanas e até mesmo meses.

O TAB tem uma prevalência de cerca de 2,1% na população geral, mas estudos apontam que este número pode chegar até 5,5%. A idade de início ocorre por volta dos 15 aos 24 anos e costuma ser mais frequente em pessoas solteiras ou sem vínculos interpessoais significativos.

Embora ainda não se tenha uma resposta exata sobre as causas do TAB, sabe-se que está associado a desequilíbrios biológicos e neuroquímicos (até mesmo genéticos), assim como desequilíbrios psicossociais (influência de fatores externos, como problemas e estresse).

É comum que, tanto pacientes como familiares, sintam muito desconforto com o transtorno, principalmente porque as crises variam muito de intensidade, frequência e duração.

Como reconhecer o TAB?

A identificação do TAB, em geral, é difícil, devido a própria complexidade das alterações de humor, abordagens equivocadas, ausência de comunicação entre os profissionais envolvidos e desconhecimento sobre as manifestações do transtorno. O TAB é detectado quando, três ou mais, dos sintomas descritos abaixo estiverem presentes ou quando a pessoa apresenta, pelo menos, um episódio de mania ou hipomania ao longo da vida.

Quais são os principais sintomas do TAB?

Entre os sintomas que marcam os episódios depressivos, conhecida também como a depressão bipolar, destacam-se: humor depressivo (tristeza), perda da energia, diminuição do prazer em atividades habituais, alterações do sono e apetite, falta de concentração, esquecimentos, dificuldade para tomar decisões, isolamento social, experiência subjetiva de grande sofrimento, sentimento de culpa, pensamentos de morte e de suicídio que comprometem a vida como um todo.

Entre os sintomas que caracterizam os episódios de euforia e/ou mania, estão: humor eufórico, expansivo ou irritável, aumento de energia, agitação, aceleração do pensamento, fala rápida e difícil de ser interrompida, com frequentes mudanças de assunto, maior interesse sexual, desinibição exagerada, otimismo excessivo, supervalorização das próprias capacidades e, quase sempre presente, a necessidade de sono diminuída.

Além destes, existem também os episódios de hipomania, que se caracterizam por sintomas mais brandos em relação aos que marcam os episódios de euforia e/ou mania; a oscilação frequente do humor, onde, em questões de minutos, um indivíduo oscila entre os sintomas de mania, hipomania e depressão, conhecida como ciclagem rápida; a sobreposição de crises depressivas e de euforia, durante um determinado período de tempo, os episódios mistos; e a oscilação entre hipomania e depressão leve a moderada, sem nunca caracterizar um sintomia maníaco-depressivo completo, a ciclotimia.

No passado, o Transtorno Afetivo Bipolar era chamado de psicose maníaco-depressiva, hoje está classificado em subtipos: Transtorno Afetivo Bipolar I, a forma clássica, caracterizada por, pelo menos, um episódio de euforia; e Transtorno Afetivo Bipolar II, caracterizado por, pelo menos, um episódio de hipomania e um de depressão, sem caracterizar episódio de euforia.

Como combater o TAB?

A abordagem do Transtorno Afetivo Bipolar visa controlar os sintomas e estabilizar o humor com medicamentos, psicoterapia e, em alguma situações, o uso da Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr) e da Eletroconvulsoterapia (ECT) podem ser recomendados.

Medicações:

Existem vários tipos de medicamentos (estabilizadores do humor, antidepressivos, antipsicóticos), cada um com seu modo de ação principal e perfil de efeitos colaterais, mas todos com o objetivo de equilibrar das substâncias químicas do cérebro, e com isso, estabilizar o humor e as respostas emocionais da pessoa.


Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr):

A EMTr pode ser recomendada na fase depressiva (depressão bipolar), quando os remédios não surtiram efeito e/ou quando os mesmos causam efeitos colaterais indesejáveis.

A técnica consiste em estimular o cérebro por meio de ondas magnéticos com o objetivo de restabelecer o funcionamento normal.

A EMTr é realizada no consultório, não requer anestesia, a pessoa fica acordada e as atividades rotineiras podem ser seguidas normalmente.

As sessões são diárias (com intervalo aos fins de semana) e o número é definido individualmente, em geral, entre 15 a 20. A EMTr é segura, com poucos efeitos colaterais (desconforto e dor de cabeça passageira).


Eletroconvulsoterapia (ECT):

A ECT pode ser recomendada tanto nas fases depressiva quanto na euforia. A técnica consiste em uma estimulação elétrica do cérebro com o objetivo de restabelecer seu funcionamento normal.

A ECT é realizada em ambiente hospitalar, com anestesia geral e todo aparato necessário. O procedimento dura cerca de 5 a 10 minutos e a pessoa tem alta no mesmo dia. São realizas 3 sessões/semana e número é definido individualmente, em geral, entre 6 a 12. É eficaz, segura e recomendada principalmente para casos mais graves.

O ideal é que, após uma avaliação cuidadosa, a pessoa seja acompanhada durante toda intervenção terapêutica, pois é primordial avaliar a resposta e a adesão para, dependendo das circunstâncias, manter ou recomendar outra abordagem.

Além disso, algumas mudanças no estilo de vida da pessoa são fundamentais, como o fim do consumo de substâncias psicoativas (anfetaminas, álcool, por exemplo), o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação, sono regular, redução dos níveis de estresse e a prática de atividades físicas.

A manutenção do terapêutica, assim como o acompanhamento da família, ajudam a prevenir recaídas e instabilidade emocional e contribui para a qualidade de vida da pessoa e da família.

Dra. Marina Odebrecht Rosa, CRM: 107447 – SP | RQE: 47901. Dr. Moacyr Alexandro Rosa, diretor técnico, CRM: 69816 – SP | RQE: 47876. IPAN – Instituto de Psiquiatria Avançada e Neuromodulação. Todos direitos reservados. O texto pode ser usado desde que a fonte seja citada.

Referências:

  • American Psychiatric Association (APA). Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-V. 5th ed. APPI – American Psychiatric Association / John Scott and Company; 2013.
  • Benjamin J. Sadock, Virginia A. Sadock and Pedro Ruiz. Kaplan and Sadock’s Comprehensive Textbook of Psychiatry. LWW; Ed.: Tenth, 2 Vol, 2017.