282017abr
Dr. Moacyr, participa da elaboração das Diretrizes da Eletroconvulsoterapia

Dr. Moacyr Alexandro Rosa, psiquiatra e diretor do IPAN, teve participação na elaboração das Diretrizes da prática da Eletroconvulsoterapia no Brasil, publicada pela Associação Médica Brasileira e Associação Brasileira de Psiquiatria.

“A eletroconvulsoterapia (ECT) é o tratamento somático mais antigo dentre os ainda utilizados na prática psiquiátrica atual e também o mais controverso. A ECT se popularizou nos meados do século XX, entre as décadas de 40 e 60. No entanto, já entre os anos 60 e 80, o uso da ECT encontrou resistência, deixando de ser uma opção terapêutica para muitos psiquiatras e serviços de psiquiatria, que viam o método como sinônimo de uma prática psiquiátrica manicomial ou como mecanismo punitivo. Havia uma associação errônea da ECT com técnicas de tortura, em que os psiquiatras eram acusados de tratar os pacientes de forma “policialesca”. Esta visão estigmatizada se justificou durante um período em que o método era aplicado de forma indiscriminada (até mesmo pela ausência de opções Diretrizes AMB 6 farmacológicas eficazes), muitas vezes sem o consentimento do paciente ou dos familiares e na ausência de dispositivos hoje utilizados, como a anestesia e relaxantes musculares. A partir dos anos 90, no entanto, um novo interesse científico surgiu em relação a este método, com grande crescimento do número de publicações, inclusive com a elaboração de inúmeros ensaios clínicos controlados na área.

Ao longo das últimas duas décadas, a eficácia da ECT vem sendo confirmada por vários estudos (2) (D). É um método extremamente seguro e o conforto do paciente é, atualmente, assegurado pelo o uso da anestesia. Apesar destes fatos, a ECT quase sempre é considerada a última opção nos algoritmos terapêuticos, sendo Diretrizes AMB 7 reservada para casos muito refratários, demonstrando que o estigma em torno deste método ainda está presente.

O objetivo, ao elaborar esta diretriz, é esclarecer como a ECT é realizada nos dias atuais, quais as suas indicações, efeitos colaterais e contraindicações, para que a comunidade médica possa avaliar este método terapêutico de forma mais cientificamente embasada, reduzindo antigos preconceitos que acabam por ser prejudiciais a boa prática clínica”.

Diretrizes da prática da Eletroconvulsoterapia no Brasil. Autoria: Associação Brasileira de Psiquiatria Participantes: Mochcovitch MD, Baczynski TP, Telles LL, Alves M, Rosa M, Lucca G, Riegel RE, Quevedo J, Chaves C, Hallak JEC, de Rezende TMN, Moraes SL, da Silva AG, Nardi AE. Diagramação: Ana Paula Trevisan.

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