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Depressão e euforia caracterizam o transtorno bipolar

Como uma montanha-russa
Momentos de depressão e euforia caracterizam o transtorno bipolar

Revista Transtorno Bipolar. Texto Ana Beatriz Casali/colaboradora, Design: Rafaelle Bortolan/colaboradora



 
Você, provavelmente até inconscientemente, acorda mais animado em alguns dias do que em outros – ou prefere adotar uma postura reservada em alguns momentos da vida. Isso é comum e pode ter relação com as tarefas a serem realizadas ao longo do dia ou um episódio recente, como uma promoção no emprego e a morte de uma pessoa querida. O problema surge, porém, quando essas oscilações de humor ocorrem de forma radical. O psicólogo Yuri Busin explica que pessoas que possuem transtorno bipolar sofrem mudanças, inclusive, mais duradouras do que as que não sofrem com a doença.

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Todo cuidado é pouco!

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno bipolar é a sexta maior causa de incapacitação no mundo. O psiquiatra Sander explica algumas das consequências da doença:
Moral: mudança na vida social
Laboral: incapacidade para trabalhar
Psicológica: necessidade de acompanhamentos psicológico e psiquiátrico
Física: exposição a situações de risco e tentativas de suicídio
Econômica: endividamento
Criminal: agressões
Legal: dependência de terceiros para exercer atos legais, como anulação de contratos
Social: exclusão

Oito ou oitenta

O transtorno afetivo bipolar é caracterizado por alterações de humor – entre episódios maníacos (de euforia extrema) e depressivos – que têm intensidade e duração variadas de acordo com cada indivíduo. “É considerada um doença crônica que acomete cerca de 1,5% das pessoas em todo o mundo” , destaca a psicóloga Léa Biancamano Guimarães. A profissional pontua também que a importância do diagnóstico está na gravidade do transtorno, que pode levar o paciente à perda de emprego, inadimplência financeira, complicações legais, comportamento sexual de alto risco, risco de suicídio, divórcio e comportamento antissocial.

Hora de pedir ajuda

“Ao perceber mudanças de humor e se os sintomas permanecerem durante pelo menos uma semana e forem de um extremo ao outro com intensidade, deve-se levar a pessoa para a avaliação de um profissional qualificado para verificar o diagnóstico ”,alerta Yuri. O transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado. O psicólogo explica que, atualmente, o tratamento consiste na junção de acompanhamento psicológico e psiquiátrico ( através de medicamentos).

Euforia

Neste estado, o indivíduo apresenta sentimentos de grandiosidade, autoestima inflada, fala excessiva, aumento de atividades prazerosas ( como compras e investimentos desnecessários) e perda de inibição social. “Sua apreciação otimista da realidade é capaz de atingir níveis extremos, em que a pessoa pode se julgar ilimitada em capacidades como assumir dívidas e vencer  pessoas armadas”, afirma o psiquiatra.

Depressão

Trata-se da perda de interesses pessoais, falta de energia, forte sensação de angústia e sono desregulado (o paciente acorda muitas vezes durante a noite ou apresenta sono excessivo). “Atenção e memória podem ficar muito prejudicadas, interferindo no desempenho no trabalho, nos estudos e na capacidade de cuidar de um dependente, por exemplo”, explica o psiquiatra Sander Fridman. Além disso, desejo de morrer e planos de suicídio são sintomas que aumentam quando associados ao abuso de álcool.

Revista Transtorno Bipolar – 40 – Ano 2, N. 2 – 2016