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TOC estimulação magnéticaEstimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) para o tratamento do Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC). O TOC é um transtorno de ansiedade que se caracteriza por pensamentos obsessivos e compulsivos no qual a pessoa tem comportamentos considerados esquisitos. Em geral, trata-se de ideias exageradas e irracionais de saúde e rituais de difícil controle.

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano 2020 o TOC estará entre as dez causas mais importantes de comprometimento por doença.

O tratamento pode ser medicamentoso e não medicamentoso. O medicamentoso utiliza antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina.
A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem não medicamentosa com comprovada eficácia sobre a doença. Seu princípio básico é expor a pessoa à situação que gera ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos. Os resultados costumam ser melhores quando se associam os dois tipos de abordagem terapêutica.
A EMTr, uma inovadora técnica de neuromodulação, vem sendo amplamente estudada para tratar o TOC.

A EMTr é um procedimento médico, que surgiu em 1975, e utiliza estímulos elétrico e magnético para restabelecer o funcionamento cerebral. Em Outubro de 2008, o seu uso foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento da depressão. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamentou o uso do aparelho de Estimulação Magnética em março de 2006. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o uso da EMTr para tratar depressão e esquizofrenia.

O objetivo da EMTr é estimular áreas específicas do cérebro, por meio de pulsos magnéticos gerados por um equipamento desenvolvido para esta técnica. O tratamento é capaz de gerar mudanças controladas nos neurônios (células do sistema nervoso responsáveis pela condução do impulso nervoso) de regiões específicas do cérebro, ativando-os ou inibindo-os, de acordo com o objetivo terapêutico.

Na Universidade de Columbia, a EMTr vem sendo amplamente pesquisada. A dra. Marina Rosa participa do estudo realizado com a EMTr para o TOC. A EMTr de baixa freqüência, aplicada na área motora suplementar (do inglês, supplementary motor area – SMA) vem demonstrando bons resultados e com o beneficio de não apresentar efeitos colaterais.

Abaixo segue o resumo deste estudo:

Randomized sham-controlled trial of repetitive transcranial magnetic stimulation in treatment-resistant obsessive-compulsive disorder.

In open trials, 1-Hz repetitive transcranial magnetic stimulation (rTMS) to the supplementary motor area (SMA) improved symptoms and normalized cortical hyper-excitability of patients with obsessive-compulsive disorder (OCD).

Here we present the results of a randomized sham-controlled double-blind study. Medication-resistant OCD patients (n=21) were assigned 4 wk either active or sham rTMS to the SMA bilaterally. rTMS parameters consisted of 1200 pulses/d, at 1 Hz and 100% of motor threshold (MT). Eighteen patients completed the study.

Response to treatment was defined as a > or = 25% decrease on the Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale (YBOCS). Non-responders to sham and responders to active or sham rTMS were offered four additional weeks of open active rTMS. After 4 wk, the response rate in the completer sample was 67% (6/9) with active and 22% (2/9) with sham rTMS.

At 4 wk, patients receiving active rTMS showed on average a 25% reduction in the YBOCS compared to a 12% reduction in those receiving sham. In those who received 8-wk active rTMS, OCD symptoms improved from 28.2+/-5.8 to 14.5+/-3.6. In patients randomized to active rTMS, MT measures on the right hemisphere increased significantly over time. At the end of 4-wk rTMS the abnormal hemispheric laterality found in the group randomized to active rTMS normalized.

The results of the first randomized sham-controlled trial of SMA stimulation in the treatment of resistant OCD support further investigation into the potential therapeutic applications of rTMS in this disabling condition.

Mantovani A, Simpson HB, Fallon BA, Rossi S, Lisanby SH. Int J Neuropsychopharmacol. 2010 Mar;13(2):217-27. Epub 2009 Aug 20.