232016fev

Pesquisa da Unifesp mostram que pacientes com baixo nível do hormônio adiponectina têm maior alteração de humor e persistência de sintomas depressivos

Doenças psiquiátricas como o transtorno bipolar e a depressão estão frequentemente associadas a distúrbios metabólicos como a diabetes tipo 2, a dislipidemia (lipídeos em níveis elevados) e a obesidade. A correlação foi observada por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em trabalho recentemente publicado no Journal of Psychiatric Research.


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Os dados do estudo feito com 59 portadores de transtorno bipolar apontaram que os pacientes com níveis considerados baixos de adiponectina — hormônio produzido pelo tecido adiposo que ajuda a regular o metabolismo de glicose e de lipídeos — apresentavam um quadro psiquiátrico mais grave do que aqueles com níveis mais altos dessa proteína.

— No histórico desses pacientes com baixa adiponectina, observamos maior frequência de episódios de humor alterado, maior número de internações psiquiátricas, persistência de sintomas depressivos e pior funcionamento psicossocial. Eles também tinham mais distúrbios metabólicos, como intolerância à glicose, diabetes e dislipidemias — afirma a professora da Escola Paulista de Medicina Elisa Brietzke, coordenadora do projeto apoiado pela FAPESP.

Se os achados forem confirmados por estudos futuros, avaliou Brietzke, a dosagem de adiponectina no sangue de pacientes com transtorno bipolar poderá funcionar como um biomarcador auxiliar no prognóstico e no tratamento – sendo que níveis baixos desse hormônio seriam um indicativo de uma doença mais grave tanto do ponto de vista psiquiátrico quanto metabólico. Além disso, segundo a pesquisadora, os resultados abrem caminho para novos estudos voltados a testar intervenções que modulem os níveis de adiponectina nos pacientes bipolares.

* Zero Hora