132019maio

Assim como Miss Ilhéus, mulheres são mais suscetíveis a depressão

Gabriela Viegas, 27, morreu no sábado (4); amigos relataram nas redes sociais que ela sofria de depressão e a suspeita é que teria cometido suicídio

Amigos relatam que Gabriela Viegas, Miss Ilhéus 2018, sofria de depressão

Amigos relatam que Gabriela Viegas, Miss Ilhéus 2018, sofria de depressão

A depressão acomete três vezes mais mulheres que homens, segundo o psiquiatra Diego Tavares, do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-FMUSP). Segundo o médico, as maiores taxas de suicídio estão associadas aos casos mais graves da doença, quando há instabilidade de humor e agitação do pensamento.

Saiba mais sobre Depressão!

A modelo Gabriela Viegas, 27, Miss Ilhéus 2018, foi encontrada morta em Belo Horizonte (MG), no sábado (4). Ela era estudante de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e, segundo relato de amigos, a modelo sofria de depressão. A suspeita é de que ela tenha cometido suicídio.

Tavares afirma que os números de depressão em mulheres são mais altos devido à fatores biológicos. “Na década de 1970, acreditava-se que a mulher era o sexo frágil, que tinha menos recursos psicológicos e não aguentava à pressão social, mas foi descoberto que a depressão em mulheres não está atrelada ao âmbito cultural. Estudos da época mostraram que, por conta dos hormônios, a resposta do cérebro feminino tende à oscilar o humor, assim como na TPM, tornando-as mais suscetíveis à depressão”, explica.

Saiba mais: Como tratar a Depressão!

De acordo com o psiquiatra, porém casos de depressão clássica não seriam os que a pessoa comete suicídio, mas sim uma “depressão agitada”. “A depressão clássica é visível, a pessoa fica de cama, descuidada, isolada e não sai de casa. Na depressão agitada, o problema é mascarado, pois a pessoa se sente sozinha, mas possui energia para trabalhar, comer, sorrir, mas sente aquela angústia”, afirma.

A depressão agitada consiste na instabilidade, com variações nos níveis de energia de um dia para o outro ao longo do tempo. Desta forma, há um aumento de energia do deprimido e maior fluxo de pensamentos, fazendo com que o cérebro tente achar uma solução para aquele sofrimento, levando à automutilação e até mesmo ao suicídio.

O diagnóstico desse tipo de depressão, assim como a depressão “convencional”, é feito de maneira clínica. O diferencial se dá pela avaliação da energia do paciente que, na depressão comum, tende a ter menos disposição e perda de atenção.

Os quadros de depressão agitada consistem na apresentação de aumento de distração, impulsos, pensamento agitado e, em casos mais graves, agitação no comportamento do paciente.

A depressão acompanhada da agitação pode ser confundida com transtornos de ansiedade, por essa razão, o psiquiatra ressalta a importância do diagnóstico correto. “Na ansiedade, a pessoa tem uma aceleração movida pelo medo, pela tensão e até ataques de pânico. Na depressão agitada, o pensamento acelerado é acompanhado de sofrimento”, explica Tavares.

O psiquiatra afirma que pessoas deprimidas podem ser mais vulneráveis às pressões do meio em que vivem. Com a sensibilidade, qualquer problema pode se tornar maior e a pessoa pode não conseguir lidar com a situação.

O tratamento para esses casos é diferente da depressão comum. Tavares afirma que, em depressões com muita agitação, são utilizados medicamentos estabilizadores de humor, que atuam na agitação sem piorar a depressão. O tratamento pode ser ou não associado ao uso de antidepressivos e necessita de acompanhamento psicoterapêutico.

O psiquiatra alerta que, para ajudar uma pessoa com depressão, ela não deve ser cobrada de ter atividades, se distrair ou sair. “É preciso imaginar como uma pessoa doente e estar disposto para dar suporte para aquilo que o paciente está disposto a fazer. Cobrar atividades dessa pessoa pode fazer com que ela se isole por conta da falta de compreensão dos outros”, finaliza Tavares.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

IPAN – Instituto de Psiquiatria Avançada e Neuromodulação

MARQUE SUA CONSULTA Tel.: (11) 5083-0342 (11) 9-9614-1537