102014set
O Desafio de Parar de fumar

Confiram o artigo que o Dr. Moacyr e a Dra. Marina escreveram para a Revista Psique.

A Maioria das pessoas encontra muitas dificuldades quando chega o momento de abandonar o velho hábito. No entanto, há técnicas cada vez mais modernas, que podem auxiliar a atingir o objetivo.

Qual fumante nunca planejou o dia em que vai “ parar de fumar”?

Quando se começa a fumar, geralmente junto de amigos, despreocupadamente, ou, em outras ocasiões, em momentos tensos, compartilhando a ansiedade com outro fumante mais antigo, não se pensa muito no que vai acontecer no futuro.

A possibilidade de dependência não faz parte do raciocínio nesta fase. Todos, ou quase todos, que começam acreditam que podem parar quando quiserem. Só vão descobrir que a coisa é um pouco mais complicada quanto, realmente, acharem que está na hora de parar.

Então, a vida complica. Muitos vão se enganar e se autojustificar, afirmando que não conseguiram parar, porque não queriam de verdade. Mas não basta querer. Em muitos casos, o vício se tornou uma doença, uma dependência química, e abandoná-lo pode ser uma missão extremamente difícil.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo. A organização estima que um terço da população mundial adulta, isto é cerca de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, sejam fumantes. A fumaça do cigarro tem mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, que causam dependência física e psíquica, além de causar sérios problemas de saúde.

Especialistas apontam vários aliados no combate ao tabagismo, tais como força de vontade, mudanças de hábitos de vida, acompanhamento médico e psicológico. A força de vontade e a mudança nos hábitos de vida parecem ser difíceis de colocar em prática, por dependerem de uma iniciativa pessoal.

Contudo, campanhas de esclarecimento e abordagens educacionais ajudam os fumantes a criar o que se pode chamar de “argumentos internos “, que passam a alimentar o desejo de abandonar o vício.

Fumantes tendem a hipervalorizar casos que, supostamente, “deram certo “e, possivelmente, será o deles também (“conheci uma tia que fumava e morreu com 90 anos…”): e tendem a fazer vista grossa para a realidade estatística que lhes é totalmente contrária ( outras milhares de tias que fumavam e morreram pelas consequências disso).

Dependentes se assustam com a possibilidade de não ter aquele cigarro gostoso depois do café da manhã, ou aquele à noite, depois de um dia longo de trabalho…

Abandonar o vício não será uma perda, mas uma melhora. O bem estar físico é o mais característico. Aquele cansaço

crônico, a falta de ar depois de pequenas caminhadas, o pigarro constante, as fases de infecção pulmonar com tosses que lembram coqueluche. A pele melhora, os dentes clareiam, o hálito fica mais agradável, o olfato retorna.

O bem–estar psíquico também não deve ser menosprezado. A liberdade de não fumar é incomparável. Não precisar parar uma atividade profissional ou de diversão para fumar não tem preço. Assistir a um filme de duas horas ou mais no cinema sem ficar pensando quando e onde vai ser possível um cigarrinho… São infinitos os benefícios.

A Ajuda médica é outro aspecto que deve ser enfatizado. Decidir parar pode ser suficiente para uma minoria. Popularmente, acredita-se que estes tenham mais força de vontade, que sejam pessoas decididas etc. Ninguém sabe ao certo.

É possível que os que conseguem “parar sozinhos”, apenas tenham um subtipo mais leve de dependência do que os outros. Decidir procurar ajuda pode ser o maior sinal de força de vontade e decisão que um fumante possa manifestar, e isso deve ser sempre enfatizado.

O tratamento médico inclui a parte biológica e a parte psicológica. É muito frequente pessoas com transtornos mentais, como ansiedade e alguns tipos de depressão, terem o tabagismo como comorbidade. Tratar o transtorno de base é fundamental antes de tratar o tabagismo propriamente.

Diferentes abordagens médicas existem e incluem o uso, progressivamente reduzido, de nicotina por vias não inaláveis (patch e goma de mascar), o uso de bupropiona ( um antidepressivo que tem propriedades antitabagísticas) e a vareniclina ( que reduz o desejo da substância).

Outras abordagens têm sido tentadas, com resultados ainda não conclusivos. Recentemente, uma técnica que utiliza estímulos magnéticos, conhecida como Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva ( EMTr) tem se mostrada promissora para o tratamento do tabagismo.

Saiba mais sobre Estimulação Magnética Aqui!

O desejo de fumar pode ser neutralizado por meio de aplicação de estímulos magnéticos em determinadas zonas do cérebro, segundo os resultados de um estudo de cientistas japoneses e canadenses, publicado pela revista americana PNAS.

Segundo o neurocientista Abraham Zangen, da Universidade Bem-Gurion, em Israel, cerca de metade dos fumantes de um grupo, que recebeu pulsos magnéticos no cérebro, parou de fumar depois de três semanas de tratamento, com abstinência por seis meses.

O sucesso do procedimento fez com que os cientistas organizassem uma experiência de larga escala em 15 hospitais do mundo inteiro. Porém, mais pesquisas são necessárias para provar a validade do procedimento. A avaliação e supervisão de um profissional, acompanhadas de um programa terapêutico, são importantes para evitar danos a saúde e atingir o objetivo estabelecido para o sucesso do tratamento.

Confiram o exemplar nas bancas, 24/07/14 Revista Psique