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O que é depressão?

A depressão é o transtorno psiquiátrico mais predominante ao longo da vida (até 27%) e que acomete pessoas de todas as idades: crianças, jovens, adultos e idosos.  A idade média é ao redor de 27 anos segundo pesquisas estatísticas. Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, é uma das principais causas de invalidez no mundo, afetando cerca de 350 milhões de pessoas e causando aproximadamente 850 mil suicídios por ano. O Brasil possui 13 milhões de pessoas com depressão, um número assustador. Os custos com transtornos mentais podem chegar a até 4% do PIB (Produto Interno Bruto).

Com o objetivo de alertar a população, reduzir o preconceito, fazer com que mais pessoas conversem a respeito e busquem ajuda, a OMS iniciou uma campanha chamada “Depressão: Vamos Conversar”, que será lembrada no Dia Mundial da Saúde, em sete de Abril.

Dentro desse contexto, o humor é uma das dimensões mais conhecida do psiquismo, mas também a mais difícil de ser definida. Ele se caracteriza por um estado afetivo que permeia o comportamento e a eficiência no modo do indivíduo reagir ao ambiente, às pessoas e aos acontecimentos, com atitudes imediatas frente a diferentes acontecimentos, e que podem manifestar alegria, tristeza ou indiferença.

Quais são os principais sintomas da depressão?

Falando especificamente de tristeza, é algo que faz parte da vida, todos a sentirão em algum momento. Mas, dependendo da intensidade e frequência, pode ser um dos sintomas da depressão, assim como outros não menos importantes, como a perda do apetite, perda de iniciativa, apatia, desanimo, perda do interesse sexual, incapacidade para trabalhar, desejo de morrer, pessimismo, insônia, sentimento de culpa, baixa autoestima, falta de prazer, alteração da atenção e concentração, cansaço, irritabilidade etc. Além destes, outros sinais também podem ser reveladores, como aparência descuidada, barba por fazer, cabelos em desalinho ou penteados parcialmente, cabeça baixa, lentidão psicomotora e etc.

Mas para se chegar a um diagnóstico preciso de depressão, é necessário que haja mais do que tristeza, ela tem que ser prolongada o suficiente para que se conclua que, de fato, aquela pessoa não consegue reagir sozinha.

Depressão e suas classificações

A depressão é uma doença classificada dentro dos transtornos do humor, os chamados Transtornos Depressivos.

Uma primeira subdivisão categoriza os Transtornos Depressivos em Bipolares e Unipolares:

  • Transtorno Depressivo Bipolar: é caracterizado pela ocorrência prévia de episódio de mania/euforia ou hipomania.
  • Transtorno Depressivo Unipolar: é caracterizado pela não ocorrência de episódio mania/euforia ou hipomania. De qualquer modo, as manifestações de um e de outro são bem semelhantes.

Existem outros tipos de classificação, como por exemplo, por frequência e intensidade:

  • Transtorno Depressivo Recorrente: é caracterizado por mais de um episódio depressivo;
  • Transtorno Depressão Maior: é caracterizado por sintomas moderados e graves;
  • Distimia: é caracterizada por sintomas leves de longa duração;
  • Transtorno Depressivo: é caracterizado por depressões de qualquer intensidade, porém, por tempo mais curto.

Além dessas, existem as classificações por sintomas específicos, como:

  • Depressão Melancólica: é caracterizada pelo predomínio de sintomas vegetativos (insônia e inapetência) e características circadianas (pior pela manhã);
  • Depressão Atípica: é caracterizada pela sonolência excessiva e aumento do apetite;
  • Depressão Ansiosa: é caracterizada por sintomas mistos, ansiosos e depressivos;
  • Pseudo Demência: é caracterizada por sintomas de prejuízo cognitivo, ou seja, do entendimento;
  • Depressão Psicótica: é caracterizada presença de delírios e/ou alucinações;
  • Depressão Sazonal: quando o episódio depressivo ocorre em épocas determinadas como no outono ou inverno;
  • Transtorno Disfórico Pré-menstrual (TPM): quando o o episódio depressivo ocorre ao redor do ciclo menstrual.
  • Depressão Pós-parto: quando o episódio depressivo ocorre ao redor do parto.

Como identificar a depressão?

A identificação da depressão é clínica, ou seja, é baseada no histórico e nos sinais e sintomas da pessoa. Por outro lado, há evidências de alterações do funcionamento e estrutura cerebral, além de alterações neuroendócrinas, inflamatórias e dos neurotransmissores (serotonina, dopamina, noradrenalina, glutamato), que equilibram o humor e as emoções. Contudo, ainda não foi identificada alteração específica para depressão.

Quais as causas da depressão?

A causa é desconhecida. O modelo explicativo atual combina predisposição genética a interação com fatores estressantes (problemas financeiros, separação, perda de um ente querido, perda de emprego, frustrações, decepções, violências etc.). Na maior parte dos casos, trata-se de uma somatória de eventos ao longo do tempo e, em alguns casos, não é possível identificar o fator desencadeante. É importante dizer que depressão não pode ser encarada como falta de caráter ou de religiosidade. Ela é uma doença que pode atingir qualquer um. Não respeita idade, sexo, religião, nada. E ninguém está imune!

Como combater a Depressão?

O primeiro passo é livrar-se do preconceito e buscar ajuda médica. A bordagem da depressão visa equilibrar as alterações fisiológicas e psicológicas e inclui o uso de psicoterapia, farmacoterapia e dos chamados tratamentos não medicamentosos (técnicas de neuroestimulação, por exemplo).

Várias abordagens psicoterápicas podem ser utilizadas de acordo com a gravidade do quadro e suas características e da presença de fatores estressantes. Abordagem dinâmicas cognitivo comportamental e interpessoal são as mais usadas terapias de grupo ou familiar podem ser úteis.

As medicações sozinhas ou preferencialmente, combinadas á psicoterapia, são a intervenção mais utilizada na atualidade. Uma série de  medicações encontra-se disponível e variam de acordo com seu modo de ação principal e seu perfil de efeitos colaterais. Em alguns casos, a eficácia dos antidepressivos pode ser limitada, devendo incluir estratégias de potencialização e combinações.

Quando as medicações não surtem efeito, por excesso de efeitos colaterais, por exemplo, ou quando não são recomendadas, como na gestação, pois podem afetar o embrião/feto, outros tratamentos podem ser indicados, como:

  • Estimulação Magnética Transcraniana (EMTr): por meio de ondas magnéticas, modula os neurotransmissores e com o objetivo de restabelecer o funcionamento cerebral. Recomendada em depressões leves e moderadas. A EMTr é realizada no consultório, não requer anestesia, a pessoa fica acordada e as atividades rotineiras podem ser seguidas normalmente. As sessões são diárias (com intervalo aos fins de semana) e o número é definido individualmente, em geral, entre 15 a 20. A EMTr é eficaz, segura, com poucos efeitos colaterais (desconforto e dor de cabeça passageira).
  • Eletroconvulsoterapia (ECT): por meio de disparos elétricos cerebrais autolimitados, equilibra os neurotransmissores e com objetivo de restabelecer o funcionamento normal. Realizada em ambiente Hospitalar, com anestesia geral e todo aparato necessário. O procedimento dura cerca de 5 a 10 minutos e a pessoa tem alta no mesmo dia. São realizas 3 sessões/semana e número é definido individualmente, em geral, entre 6 a 12. É eficaz, segura e recomendada principalmente para depressões graves, refratárias e com risco de suicídio.

O mais importante é ter uma avaliação cuidadosa para decidir qual a abordagem é mais indicada.

Dra. Marina Odebrecht Rosa, CRM: 107447 – SP | RQE: 47901. Dr. Moacyr Alexandro Rosa, diretor técnico, CRM: 69816 – SP | RQE: 47876. IPAN – Instituto de Psiquiatria Avançada e Neuromodulação. Todos direitos reservados. O texto pode ser usado desde que a fonte seja citada.

Referências:

  • American Psychiatric Association (APA). Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-V. 5th ed. APPI – American Psychiatric Association / John Scott and Company; 2013.
  • Benjamin J. Sadock, Virginia A. Sadock and Pedro Ruiz. Kaplan and Sadock’s Comprehensive Textbook of Psychiatry. LWW; Ed.: Tenth, 2 Vol, 2017.
  • Fundamentos da Eletroconvulsoterapia. Moacyr Alexandro Rosa, Marina Odebrecht RosaEditora Artmed, 2015.
  • Princípios e Práticas do uso da Neuromodulação Não Invasiva em Psiquiatria. Andre Russowsky Brunoni, Editora Artmed, 2017.
  • Organização Mundial de Saúde – OMS.