A ECT é um tratamento ultrapassado? | É utilizado anestesia? É indolor? | Como são as aplicações? | Quantas sessões são necessárias? | Qual a frequência das aplicações? | Existe tratamento de manutenção? | Prejudica a memória? Medicações e ECT | É um tratamento seguro? | Qual é sua eficácia?

A ECT é um tratamento ultrapassado?


Apesar da ECT ser um procedimento antigo, que surgiu em 1938, atualmente é considerado um tratamento modificado, diferente do “antigo eletrochoque”. Além de ser uma técnica especializada, eficaz e segura, é realizada nos principais centros médicos do mundo.

É utilizado anestesia?

Sim, a ECT aplicada atualmente é chamada de técnica modificada e tem as seguintes características:

  • É aplicada em ambiente hospitalar;
  • É realizada com anestesia geral (dura cerca de 3 a 5 minutos.), o que torna a ECT indolor;
  • Utiliza relaxante muscular para amenizar os efeitos desencadeados por disparos rítmicos autolimitados;
  • Utiliza oxigenação por máscara para evitar qualquer tipo de dano cerebral;
  • É ministrada por profissionais especialistas e com equipes treinadas;
  • Os pacientes são monitorizados durante todo procedimento;
  • Utiliza aparelhagens de última geração;
  • Utiliza um tipo de onda de pulso breve e ultrabreve, parecido com a onda fisiológica do nosso organismo;
  • Difere também em relação à localização dos eletrodos: pode ser realizada a ECT Unilateral, ou seja, aplicados apenas de um lado da cabeça, preservando a memória;
  • A intensidade do estímulo é calculada individualmente para se adequar a cada paciente.
  • Todas estas características tornam a ECT modificada um procedimento eficaz, seguro e com poucos efeitos colaterais.

A ECT é um tratamento indolor?

Sim, como mencionado acima, a utilização da técnica modificada, com anestesia geral, permite isso.

Como são as aplicações de ECT?

Cínica de ECT - IPAN

Cínica de ECT


  • As aplicações são ministradas por uma equipe especializada (psiquiatra, anestesista e enfermagem) e são realizadas em ambiente hospitalar, com o uso da técnica modificada.
  • O paciente deve chegar ao hospital em jejum absoluto de 8 horas e, após ser acolhido na recepção, ser avaliado pelas equipes de enfermagem, psiquiátrica e anestesia.
  • No centro cirúrgico, é realizada a infusão das medicações (anestésico, relaxante muscular e outras, se houver indicação), por meio de acesso venoso (procedimento que pode ser incômodo).
  • Quando o paciente estiver completamente anestesiado (inconsciente), é feito o estímulo elétrico, com duração de 2 a 8 segundos.
  • O estímulo elétrico desencadeia disparos rítmicos cerebrais autolimitados de aproximadamente 20 segundos e é monitorada durante o tratamento por meio de Eletroencefalografia (EEG).
  • Durante todo o processo, o paciente fará uso de oxigenação por máscara e os sinais vitais serão monitorados com aparelhos como EEG, ECG (eletrocardiograma), Oxímetro de Pulso e de Pressão Arterial;
  • Em seguida, ao retomar a consciência, fará um lanche leve, será avaliado pela equipe e liberado para deixar o hospital.

Quantas sessões de ECT são necessárias?

O número de aplicações de ECT não é padronizado e há um consenso de que não deva ser previamente fixado, pois depende de alguns fatores, como: diagnóstico, gravidade, tolerância às alterações cognitivas, idade, complicações clínicas, entre outros. A maioria das pessoas requer entre 6 a 12 sessões de ECT, mas este número é definido individualmente.

Qual é a frequência das aplicações de ECT?

O tratamento com ECT é realizado três vezes por semana, em dias alternados (segunda, quarta e sexta-feira), esquema que permite o equilíbrio entre a velocidade da resposta clínica e o tempo entre as aplicações para que haja a recuperação completa.

Existe tratamento de manutenção com ECT?

Quando há melhora clínica, o tratamento de manutenção é indicado, porém, sua administração fica a critério do psiquiatra e vontade do paciente. De qualquer forma, recomenda-se a redução gradativa das aplicações (por exemplo: semanal, quinzenal ou mensal, conforme avaliação e indicação).

A ECT prejudica a memória?

A perda de memória é uma das maiores preocupações com a ECT. O esquecimento ocorre, principalmente de fatos ocorridos próximos às aplicações. No entanto, isto costuma se resolver após o término do tratamento.

Em alguns casos, a depressão, por si só, pode estar acompanhada de profundas alterações cognitivas, podendo até, apresentar semelhança com quadros demenciais. Nestes quadros, a ECT pode ser responsável por uma melhora da memória.

As alterações de memória induzidas pela ECT variam de acordo com vários fatores, como:

  • Tipo de onda utilizada para o estímulo: há menor alteração com ondas de pulso breve e ultrabreve;
  • Intensidade do estímulo: quanto maior o estímulo utilizado, maior são as alterações;
  • Número e frequência de aplicações: quanto menor a intensidade, o número e a frequência, menos alterações;
  • Técnica utilizada: a ECT bilateral promove mais efeitos cognitivos que a unilateral;
  • Idade do paciente: idosos são mais sensíveis;
  • Presença de disfunção cerebral preexistente: agrava os efeitos colaterais.

Pode tomar as medicações durante o tratamento?

Em geral, sim, a maioria das medicações pode ser continuada durante o tratamento com ECT. No entanto, existem medicações que exigem atenção especial, por isso, é importante informar o médico para obter orientações. Tratamentos para hipertensão e diabetes, a princípio, devem ser mantidos.

A ECT é um tratamento seguro?

ECT - IPAN

Aparelho de ECT

Sim, a ECT é um tratamento seguro. A taxa de mortalidade é estimada em 0,1% a 0,01%, que corresponde ao risco da própria indução anestésica. A principal causa de morte se deve a complicações cardiovasculares, mas, com o uso criterioso da técnica, esse risco é reduzido.

Qual é a eficácia da ECT?

A ECT é tão ou mais eficaz que qualquer outro tratamento antidepressivo. Pesquisas confirmaram sua eficácia e, também, superioridade em relação às medicações. Nos casos de episódios depressivos primários, a taxa de remissão com a utilização da ECT foi estimada em 80-90%, enquanto que, com medicações, foi de 60-70%.

Referências:

  • Abrams, R. Electroconvulsive Therapy, 4th Ed., Oxford University Press, New York, NY, 2002.
  • American Pscyiatric Publishing, Inc, Arlington, VA, 2010.
  • Conrad Swartz. (Org.). Electroconvulsive and Neuromodulation Therapies. 1 ed. New York: Cambridge University Press; 1 edition, v. 1, p. 276-286, March 2, 2009.
  • Mankad M, Beyer JL, Weiner RD, Krystal A. Clinical Manual of Electroconvulsive Therapy.
  • Moacyr Alexandro Rosa, Marina Odebrecht Rosa. Fundamentos da Eletroconvulsoterapia. Editora Artmed, 2015.
  • Scott, AIF. The ECT Handbook: The third report of the Royal College of Psychiatrists Special Committee on ECT, 2nd Ed., Royal College of Psychiatrists, 2005.
  • The Practice of Electroconvulsive Therapy: Recommendations for Treatment, Training and Privileging, 2nd Ed., American Psychiatric Association, Washington, DC, 2001.