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O que é e como surgiu a cetamina

A cetamina, também conhecida como quetamina ou ketamina (ou ainda S-Ketamina ou esketamina, que é a substânica purificada), é um anestésico que tem sido investigado com um potencial antidepressivo de efeito rápido.

Em 1962, a cetamina foi sintetizada pela primeira vez por Calvin Steves. Ainda na década de 60, começou a ser utilizada como anestésico e foi aperfeiçoada para o atendimento dos soldados americanos durante a guerra do Vietnã.

Nos anos 90, passou a ser usada de forma ilícita como alucinógeno e, recentemente, alguns estudos vêm mostrando que a substância possui efeito rápido e eficiente no combate à depressão.

Estudos apontam: a cetamina tem efeito antidepressivo

O efeito antidepressivo da cetamina tem sido alvo de vários estudos, como o do psiquiatra americano Carlos Zarate, do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos. Publicado na revista Science, o estudo concluiu que a cetamina pode ter um potente e rápido efeito antidepressivo.

Para chegar a essa conclusão, Zarate e sua equipe percorreram uma longa jornada, que começou com cerca de 120 pacientes tratados com a substância em 2004 e, em 2006, com a publicação de um estudo na revista científica Arquives of General Psychiatry, onde 17 pacientes portadores de depressão maior e refratários aos antidepressivos tradicionais foram tratados com infusão de cetamina ou placebo. Dos 17 pacientes, 12 responderam ao tratamento e cinco deles obtiveram remissão da depressão. Além disso, 6 pacientes mantiveram a melhora por pelo menos uma semana após uma única injeção. No grupo placebo, estes resultados não foram encontrados.

De acordo com o estudo de Zarate, o mais interessante é que o efeito é muito rápido, apenas 24 horas após a injeção os pacientes apresentam melhoras equivalentes àquelas obtidas após 2 meses de uso dos antidepressivos comumente utilizados.Segundo a revista Science, a cetamina é “indiscutivelmente a descoberta mais decisiva para o tratamento da depressão”.

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Por que a cetamina é indicada para depressão

O tratamento com cetamina ainda é considerado experimental, mas pode ser uma opção para pacientes com depressão grave, refratária e em casos que exigem uma ação rápida como, por exemplo, no risco de suicídio. Em geral, para os que apresentam respostas, o efeito antidepressivo pode surgir após algumas horas do tratamento. Até o momento, de acordo com a prática desenvolvida com o medicamento, os efeitos duram somente duas semanas. Assim, a cetamina age, provavelmente, mais como um estimulante do que como um antidepressivo e, talvez, pode ser um complemento na fase aguda até que remédios ou outros tratamentos comecem a fazer efeito.

Nos Estados Unidos, a cetamina vem sendo administrada em casos mais graves e em emergências psiquiátricas, onde há risco de suicídio. No entanto, este uso ainda é “off-label”, ou seja, sem aprovação do órgão regulador americano, o FDA (Food and Drug Administration).

Tratamento com a cetamina no IPAN

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No IPAN, o tratamento é realizado em ambiente hospitalar com monitorização cardíaca (oximetria, ECG e medida de pressão sanguínea), além de toda estrutura necessária para quaisquer intercorrências. A sessão consiste em dose baixa com infusão endovenosa lenta, por 40 minutos. Durante todo o procedimento, o psiquiatra e o anestesista estão presentes e o paciente é monitorizado de forma adequada.

 Efeitos colaterais e contraindicações

Durante a infusão são relatados alguns efeitos colaterais, como: sonolência, agitação psicomotora, alteração da sensopercepção, taquicardia, aumento de pressão arterial e náuseas. Apesar destes efeitos, a cetamina tem um bom perfil de segurança e as formulações mais modernas tendem a evitar este tipo de ocorrência, mas vale ressaltar que a infusão de cetamina deve ser realizada em ambiente hospitalar e monitorizada por especialistas.

O tratamento com cetamina é contraindicado em casos de dependência química. Além disso, existem condições que oferecem maior risco, como no caso de hipertensão arterial descompensada, acidente vascular cerebral, doença isquêmica e infarto agudo do miocárdio recentes. Nestas condições, os riscos e benefícios do procedimento deverão ser considerados individualmente.

Saiba como ela age em nosso organismo

A cetamina pode atuar de diversas maneiras, como:

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  • Regulando o metabolismo do sistema límbico, córtexcingulado, hipocampo e córtex frontal, regiões cerebrais muito complexas e responsáveis pela modulação do humor, do raciocínio e do autocontrole, entre outras funções;
  • Modulando um neurotransmissor chamado glutamato – o mais abundante neurotransmissor do sistema nervoso central;
  • Atuando como um antagonista (bloqueador) de um dos receptores de glutamato, conhecido como N-metil-D-aspartato (NMDA), característica responsável pelos seus efeitos terapêuticos;
  • Articulando o funcionamento dos receptores dopaminérgicos, serotoninérgicos, colinérgicos e opióides e dos canais de sódio.