O que é Eletroconvulsoterapia? | História | Indicações | Efeitos Colaterais | Contraindicações | Como funciona | Benefícios

O que é Eletroconvulsoterapia?

A Eletroconvulsoterapia (ECT) é uma estimulação elétrica do cérebro, que induz disparos rítmicos cerebrais autolimitados e controlados, com o objetivo equilibrar o funcionamento cerebral e seus neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato. Estes por sua vez, são responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar emocional. Esta reação cerebral, que é monitorada durante o tratamento por meio de Eletroencefalografia (EEG), dura alguns segundos e é fundamental para o efeito terapêutico. A eletricidade é apenas um meio utilizado para isso.

Aparelho de ECT

A ECT é realizada em ambiente hospitalar, com anestesia geral.  Geralmente são realizadas duas a três sessões de ECT por semana, até que haja uma melhora e número de sessões é individualizado para cada caso.

A ECT é um tratamento eficaz e seguro, mas a técnica é incompreendida e confundida com tratamentos antiquados e dolorosos, principalmente porque, no passado, era conhecida como “eletrochoque”. Nos anos 50, com a descoberta de remédios com efeitos antipsicóticos, antidepressivos e estabilizadores do humor, houve um declínio na sua utilização. No entanto, até o momento, nenhuma medicação se igualou, em eficácia, à ECT, e essa limitação dos medicamentos só faz crescer o interesse pelo tratamento.

O preconceito e a falta de informação não podem impedir o reconhecimento da eficácia, segurança e capacidade terapêutica da ECT, principalmente em transtornos nos quais outras intervenções tiveram pouco ou nenhum efeito.

História da ECT

Dr. Moacyr com o aparelho de ECT (1938) de Cerletti e Bini no Museu da História da Medicina, Roma

A ECT surgiu na década de 30, quando os neuropsiquiatras italianos Ugo Cerletti e Lucio Bini iniciaram pesquisas induzindo convulsões com eletricidade. Em 1938, Cerletti realizou a primeira terapia convulsiva induzida eletricamente, com finalidade terapêutica. Na época, descobriu-se que o tratamento reduzia o risco de suicídio. É por isso que a ECT tornou-se um dos principais métodos de tratamento da esquizofrenia e transtornos do humor.


A técnica de ECT tem se aprimorado ao longo dos tempos. Em 1959, foi introduzida a anestesia durante o procedimento. Nos anos 70, foram desenvolvidos aparelhos que permitem controle preciso da carga fornecida, e também houve a inserção da oxigenação, de relaxantes musculares e monitoração detalhada das funções vitais.

Dr. Moacyr Rosa, psiquiatra e diretor do IPAN, teve participação na elaboração das Diretrizes da prática da ECT no Brasil, publicada pela Associação Médica Brasileira e Associação Brasileira de Psiquiatria. Clique aqui para visualizar o material completo.

Estima-se que, por ano, mais de 50 mil pessoas recebam ECT nos Estados Unidos. No Brasil não há dados precisos, mas a técnica tem sido amplamente utilizada nos mais conceituados hospitais do país. O método é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM: 1.640/2002) e o aparelho está registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA registro nº 80342230008).

Confira a resolução completa do CFM Aqui!

Confira o registro ANVISA Aqui!

Dr. Max Fink (uma das maiores autoridades de ECT no mundo) e Dr. Moacyr Rosa, APA – Washington, DC – 1999

Indicações da ECT

Os quadros depressivos, em geral, são os que melhor respondem à ECT. Geralmente é utilizado quando as medicações não surtiram efeito ou quando há excesso de efeitos colaterais das mesmas. 

Todos os subtipos de depressão podem se beneficiar, tais como: leve, moderada, grave, refratária, recorrente, unipolar, bipolar, ansiosa, com ou sem sintomas psicóticos, associada a transtorno de personalidade (como distimia) ou a outra doença orgânica.

De maneira geral, tem indicação como primeiro tratamento com ECT nos quadros de:

  • Risco iminente de suicídio;
  • Desnutrição que põe em risco a vida do paciente;
  • Presença de sintomas catatônicos;
  • Presença de sintomas psicóticos graves;
  • Situações nas quais outros tratamentos são mais arriscados devido aos efeitos colaterais, como, por exemplo, em pacientes idosos; durante a gestação pois muitas medicações podem fazer mal para o embrião/feto); durante a amamentação pois as medicações passam para o leite materno);
  • Mania/euforia e seus subtipos;
  • Esquizofrenia e outras psicoses funcionais resistentes ao uso de antipsicóticos;
  • Transtorno obsessivo compulsivo (TOC);
  • Epilepsia refratária e transtornos mentais em epilépticos;
  • Síndrome neuroléptica maligna;
  • Doença de Parkinson (há melhora dos sintomas extrapiramidais e depressivos).

Efeitos colaterais da ECT

  • Os efeitos cognitivos, especialmente perda temporária da memória ou graus variados de desorientação ao despertar da anestesia, são os mais frequentes.
  • Todas as possíveis alterações decorrentes do tratamento com ECT variam de acordo com vários fatores como: técnica utilizada, número de sessões, idade do paciente, presença de outra doença (por ex: problemas cardiovasculares, pulmonares, neurológicos).
  • Outros efeitos colaterais: dor de cabeça, enjoo e dores musculares, geralmente são leves e podem ser aliviadas com medicações sintomáticas.

É importante ressaltar que, mesmo que o tratamento apresente efeitos colaterais, os benefícios podem ser maiores.

Contraindicações da ECT

Na atualidade não existem contraindicações absolutas para o uso de ECT, apenas condições que oferecem maior risco:

  • Lesões intracerebrais que ocupam espaço;
  • Feocromocitoma,
  • Doença pulmonar obstrutiva grave,
  • Acidente vascular cerebral
  • Infarto agudo do miocárdio recente.

Nestas condições, os riscos e benefícios do procedimento com ECT deverão ser considerados individualmente!

Como funciona a ECT?

A ECT promove uma reorganização do cérebro através da liberação dos principais neurotransmissores envolvidos nos transtornos mentais, incluindo serotonina, noradrenalina, dopamina e glutamato. A ECT funciona de forma análoga a um restart de computador que permite ao cérebro voltar ao seu funcionamento normal e com os neurotransmissores mais equilibrados.

Benefícios da ECT

  • A ECT tem índices de eficácia que chegam a 90%. Além disso, estudos demonstram sua superioridade em relação a tratamentos com medicamentos, que apresentam eficácia entre 60 e 70%. Nos casos de episódios depressivos primários, ou seja, onde há ausência de transtornos mentais associados e ausência de doenças físicas, a taxa de remissão é estimada entre 80 e 90%.
  • A ECT é um tratamento que pode ter resposta rápida (em geral, após oito aplicações).
  • A ECT é um tratamento seguro, realizado em ambiente hospitalar, com equipe especializada, aparelhagens modernas, anestesia geral e todo aparato necessário. A pessoa recebe alta no mesmo dia.
  • Clique Aqui e saiba mais sobre a estrutura da Clínica.
Dra. Marina Odebrecht Rosa, CRM: 107447 – SP | RQE: 47901. Dr. Moacyr Alexandro Rosa, diretor técnico, CRM: 69816 – SP | RQE: 47876. IPAN – Instituto de Psiquiatria Avançada e Neuromodulação.

Referências:

  • Abrams, R. Electroconvulsive Therapy, 4th Ed., Oxford University Press, New York, NY, 2002.
  • American Pscyiatric Publishing, Inc, Arlington, VA, 2010.
  • Conrad Swartz. (Org.). Electroconvulsive and Neuromodulation Therapies. 1 ed. New York: Cambridge University Press; 1 edition, v. 1, p. 276-286, March 2, 2009.
  • Mankad M, Beyer JL, Weiner RD, Krystal A. Clinical Manual of Electroconvulsive Therapy.
  • Moacyr Alexandro Rosa, Marina Odebrecht Rosa. Fundamentos da Eletroconvulsoterapia. Editora Artmed, 2015.
  • Scott, AIF. The ECT Handbook: The third report of the Royal College of Psychiatrists Special Committee on ECT, 2nd Ed., Royal College of Psychiatrists, 2005.
  • The Practice of Electroconvulsive Therapy: Recommendations for Treatment, Training and Privileging, 2nd Ed., American Psychiatric Association, Washington, DC, 2001.