A Eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento extremamente eficaz, seguro e é indicado para casos de depressão. Geralmente é utilizado quando as medicações não surtiram efeito ou quando há excesso de efeitos colaterais das mesmas. Outras circunstâncias incluem gestação (pois muitas medicações podem fazer mal para o embrião/feto), ou quando há algum tipo de risco iminente para o paciente (ideação suicida, por exemplo).

A ECT promove disparos rítmicos cerebrais autolimitados. Com isso, ocorre um equilíbrio nos neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar. Esta reação cerebral, que é monitorada durante o tratamento por meio de Eletroencefalografia (EEG), dura alguns segundos e é fundamental para o efeito terapêutico. A eletricidade é apenas um meio utilizado para isso.

Aparelho de ECT

Geralmente são realizadas duas a três sessões de ECT por semana, até que haja uma melhora do quadro. Em média, são necessárias de 6 a 12 sessões, sendo que o número exato de aplicações é definido pelo psiquiatra.


O tratamento de Eletroconvulsoterapia é feito em ambiente hospitalar, com anestesia geral rápida (sedação), que dura de 5 a 10 minutos. Não há nenhum desconforto ou dor, e o paciente tem alta no mesmo dia.

A ECT tem um alto índice de eficácia e segurança, mas a técnica é incompreendida e confundida com tratamentos antiquados e dolorosos, principalmente porque, no passado, era conhecida como “eletrochoque”. Nos anos 50, com a descoberta de remédios com efeitos antipsicóticos, antidepressivos e estabilizadores do humor, houve um declínio na sua utilização. No entanto, até o momento, nenhuma droga se igualou, em eficácia, à ECT, e essa limitação dos medicamentos só faz crescer o interesse pelo tratamento.

A técnica de ECT tem se aprimorado ao longo dos tempos. Em 1959, foi introduzida a anestesia durante o procedimento. Nos anos 70, foram desenvolvidos aparelhos que permitem controle preciso da carga fornecida, e também houve a inserção da oxigenação, de relaxantes musculares e monitoração detalhada das funções vitais.

Estima-se que, por ano, mais de 50 mil pessoas recebam Eletroconvulsoterapia nos Estados Unidos. No Brasil não há dados precisos, mas a técnica tem sido amplamente utilizada nos mais conceituados hospitais do país. O método é aprovado pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM: 1.640/2002) e o aparelho está registrado na ANVISA (registro nº 80342230008).

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Confira o registro ANVISA Aqui!

Dr. Moacyr Rosa, psiquiatra e diretor do IPAN, teve participação na elaboração das Diretrizes da prática da Eletroconvulsoterapia no Brasil, publicada pela Associação Médica Brasileira e Associação Brasileira de Psiquiatria. Clique aqui para visualizar o material completo.

O preconceito e a falta de informação não podem nos impedir de reconhecer a eficácia, segurança e capacidade de salvar vidas da ECT, principalmente em transtornos nos quais outras intervenções tiveram pouco ou nenhum efeito.


Histórico da Eletroconvulsoterapia

A Eletroconvulsoterapia surgiu na década de 30, quando os neuropsiquiatras italianos Ugo Cerletti e Lucio Bini iniciaram pesquisas induzindo convulsões com eletricidade. Em 1938, Cerletti realizou a primeira terapia convulsiva induzida eletricamente, com finalidade terapêutica. Na época, descobriu-se que o tratamento reduz o risco de suicídio quase à zero. É por isso que a ECT tornou-se um dos principais métodos de tratamento da esquizofrenia e transtornos do humor.

 

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Dr. Moacyr com o aparelho de ECT (1938) de Cerletti e Bini no Museu da História da Medicina, Roma

Ugo Cerletti

Dr. Ugo Cerletti

Lucio Bini

Dr. Lucio Bini

dr. moacyr

Dr. Max Fink e Dr. Moacyr Rosa, APA – Washington, DC – 1999

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Dr. Cerletti, Dr. Meduna e equipe, 1961

Indicações da Eletroconvulsoterapia

Os quadros depressivos, em geral, são os que melhor respondem à Eletroconvulsoterapia. Todos os subtipos de depressão podem se beneficiar, como refratária, unipolar, bipolar, catatônica, associada a transtorno de personalidade ou a outra doença orgânica. De maneira geral, tem indicação como primeiro tratamento com ECT nos quadros de:

  • Risco iminente de suicídio;
  • Desnutrição que põe em risco a vida do paciente;
  • Presença de sintomas catatônicos;
  • Presença de sintomas psicóticos graves;
  • Situações nas quais outros tratamentos são mais arriscados devido aos efeitos colaterais, como, por exemplo, em pacientes idosos, durante a gestação e amamentação;
  • Mania e seus subtipos, esquizofrenia e outras psicoses funcionais resistentes ao uso de antipsicóticos, epilepsia refratária e transtornos mentais em epilépticos, síndrome neuroléptica maligna e doença de Parkinson (há melhora dos sintomas extrapiramidais e depressivos).

Efeitos colaterais da Eletroconvulsoterapia

  • Os efeitos cognitivos (especialmente perda temporária da memória ou graus variados de desorientação ao despertar da anestesia), são os mais frequentes. Os quadros depressivos podem estar acompanhados de profundas alterações cognitivas, e a Eletroconvulsoterapia pode estar associada a uma melhora significativa dessas funções.
  • Todas as possíveis alterações decorrentes do tratamento com ECT variam de acordo com fatores técnicos, como: tipo de onda utilizada para o estímulo (há menor alteração com ondas de pulso breve e ultrabreve), intensidade do estímulo, número e frequência de aplicações (quanto menor intensidade, número e frequência, menos alterações), técnica utilizada (a ECT bilateral promove mais efeitos cognitivos que a unilateral), idade do paciente (idosos são mais sensíveis) e, por fim, presença ou não de disfunção cerebral preexistente.
  • Outros efeitos colaterais: cefaleia, náusea e dores musculares geralmente leves e de fácil tratamento com medicações sintomáticas. É importante ressaltar que, mesmo que o tratamento apresente efeitos colaterais, os benefícios são infinitamente maiores.
  • Vale lembrar que, antes do início do tratamento com Eletroconvulsoterapia, os profissionais do IPAN conversam com o paciente e seus familiares sobre os possíveis efeitos colaterais e como lidar com eles.

Contraindicações da Eletroconvulsoterapia

Na atualidade não existem contraindicações absolutas para o uso de Eletroconvulsoterapia, apenas condições que oferecem maior risco:

  • Lesões intracerebrais que ocupam espaço;
  • Feocromocitoma,
  • Doença pulmonar obstrutiva grave,
  • Acidente vascular cerebral
  • Infarto agudo do miocárdio recente.

Nestas condições, os riscos e benefícios do procedimento com ECT deverão ser considerados individualmente!

Como funciona a Eletroconvulsoterapia?

A Eletroconvulsoterapia promove uma reorganização do cérebro através da liberação dos principais neurotransmissores envolvidos nos transtornos mentais, incluindo serotonina, noradrenalina, dopamina e glutamato. A ECT funciona de forma análoga a um restart de computador que permite ao cérebro voltar ao seu funcionamento normal e com os neurotransmissores mais equilibrados.

Benefícios da Eletroconvulsoterapia

  • A ECT tem índices de eficácia que chegam a 90%. Além disso, estudos demonstram sua superioridade em relação a tratamentos com medicamentos, que apresentam eficácia entre 60 e 70%. Nos casos de episódios depressivos primários, ou seja, onde há ausência de transtornos mentais comórbidos e ausência de doenças físicas, a taxa de remissão é estimada entre 80 e 90%.
  • A Eletroconvulsoterapia é um tratamento de resposta rápida (em geral, após oito aplicações).
  • A ECT é um tratamento seguro, realizado em ambiente hospitalar e com alta no mesmo dia.
  • As aplicações de ECT são realizadas por médicos psiquiatras e, a cada sessão, é avaliada a evolução do tratamento.
  • Após a fase inicial da Eletroconvulsoterapia (de aproximadamente doze sessões), o psiquiatra avalia se haverá e qual será o programa de manutenção.

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