O que é Estimulação Magnética Transcraniana?

A EMTr – Estimulação Magnética Transcraniana é uma técnica que estimula o cérebro com ondas magnéticas, semelhantes às utilizadas nos aparelhos de ressonância magnética. De uma forma geral, essas ondas magnéticas tem a função de modular os neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, que são responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar.

Com eficácia reconhecida pela Food and Drug Administration (FDA – agência reguladora dos EUA) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a EMTr é uma técnica inovadora para o tratamento da depressão e esquizofrenia (nas alucinações auditivas).

Como são as sessões de Estimulação Magnética Transcraniana?

O procedimento de EMTr é realizado no Instituto e apresenta poucos efeitos colaterais. As sessões são conduzidas por um médico psiquiatra, conforme exigência do CFM, para que o tratamento seja conduzido de maneira segura e a evolução precisa do quadro seja realizada. 

Durante a aplicação de EMTr, a pessoa fica acordada, sentada confortavelmente em uma poltrona. As primeiras sessões devem ser realizadas diariamente, com intervalo no fim de semana.

Na fase inicial, são indicadas de 15 a 20 sessões de EMTr, mas este número é individualizado para cada caso, pois depende de vários fatores como: diagnóstico, gravidade, refratariedade e cronicidade. Após a etapa inicial, o médico definirá a necessidade e periodicidade de manutenção.

Quais são os benefícios da Estimulação Magnética Transcraniana?

  • Tratamento regulamentado pelo CFM e ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária);
  • Em sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo, o Dr. Moacyr Rosa, diretor do IPAN, realizou estudo comparativo entre EMTr e ECT (Eletroconvulsoterapia), na depressão grave refratária. Os dois tratamentos apresentaram eficácia equivalente, com uma taxa de redução de 42% na Escala Hamilton (instrumento auxiliar no diagnóstico da depressão), resposta clínica de 46% e remissão de 14%;
  • Poucos efeitos colaterais (leve desconforto nas primeiras aplicações e dor de cabeça passageira);
  • Resposta ao tratamento tende a ser mais rápida (em alguns casos, após uma semana de aplicações);
  • Tratamento seguro, não invasivo, não requer anestesia;
  • Não é preciso interromper o tratamento com medicamentos para iniciar a EMTr;
  • Tratamento definido individualmente, com cada paciente;
  • Tratamento não limitador, as atividades podem ser seguidas normalmente (por ex: trabalhar, estudar).

Como surgiu a Estimulação Magnética Transcraniana?

Jacques Arsène D'Arsonval psiquiatria

Dr. Jacques Arsène D’Arsonval com o primeiro aparelho de EMTr, Séc. XIX.

A história do magnetismo começou com os estudos de Michael Faraday, em 1831, que descobriu que a energia elétrica podia ser convertida em campos magnéticos e vice-versa. Em 1896, no Séc. XIX, o médico, físico e inventor francês Jacques-Arsène D’Arsonval começou a pesquisar os efeitos do magnetismo sobre as emoções. Já nos anos 40 do Séc. XX foram iniciadas pesquisas com estímulos magnéticos na fisiologia animal. Mas foi só em 1985, na Grã-Bretanha, que surgiu o primeiro equipamento estimulador magnético semelhante ao utilizado hoje, sendo que, nos anos 90, a técnica começou a ser pesquisada e utilizada em estudos nos Estados Unidos.

Em 1992, a EMTr começou a ser aplicada na psiquiatria com resultados promissores no tratamento da depressão, esquizofrenia e outras doenças.

Em 1996, os médicos do IPAN iniciaram as primeiras pesquisas em EMTr no Brasil e defenderam as primeiras Teses da América Latina no assunto: o Dr. Moacyr Rosa defendeu sua Teses de Doutorado na USP/Harvard em 2004 e a Dra. Marina defendeu sua Tese de Mestrado na USP em 2006.

Além disso, eles são autores do Guia Básico de Estimulação Magnética Transcraniana em Psiquiatria Primeira Edição (Editora Daikoku, 2009) e Segunda Edição (Editora Sarvier, 2013), escreveram inúmeros capítulos de livros, artigos científicos, ministram aulas em congressos e Universidades, realizam estudos, sendo considerados médicos e pesquisadores com reconhecimento e prêmios acadêmicos nacionais e internacionais.

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Dr. Moacyr Rosa, Aparelho de EMTr, Instituto de Psiquiatría y Psicología de Montevideo (IPM), Uruguai – 1996.

A EMTr foi reconhecida em 2002, no Canadá e pela FDA, em 2008. No Brasil, a ANVISA registrou o aparelho em março de 2007 (registro número: 80342230003).

Outro marco importante foi o reconhecimento da EMTr pelo CFM, em maio de 2012. A Resolução CFM nº 1986 de 2012 caracteriza a EMTr como ato médico e reconhece sua eficácia no tratamento da depressão unipolar e bipolar e da esquizofrenia (nas alucinações auditivas).

Em dezembro de 2012, a Câmara Técnica Permanente da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), na Resolução AMB Nº 13, aprovou o reembolso dos planos de saúde para o tratamento com EMTr.

Atualmente mais de três mil equipamentos de EMTr são utilizados em todo o mundo para diagnóstico, pesquisas e tratamentos. Mais de 100 clínicas já oferecem este tratamento e muitas delas focadas na melhoria dos quadros psiquiátricos.

Dra. Marina Odebrecht Rosa, CRM: 107447 – SP | RQE: 47901. Dr. Moacyr Alexandro Rosa, diretor técnico, CRM: 69816 – SP | RQE: 47876.

Referências: