indicacoes praticas da estimulacao magnetica

Os efeitos do magnetismo começaram a ser estudados desde 1831 com os estudos de Michael Faraday, mas a nova era da Estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) surgiu apenas em 1985.

Por meio de ondas magnéticas, geradas por um equipamento desenvolvido especialmente para a EMTr, é feita a estimulação ou a inibição de áreas específicas do cérebro, com o objetivo de restabelecer o funcionamento cerebral. De uma forma geral, essas ondas magnéticas modulam os neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato, responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar emocional.

Em Outubro de 2008, a EMTr foi reconhecida pela agência reguladora dos EUA, o FDA (Food and Drug Administration). No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamentou o uso do aparelho de EMTr em 2006. Um marco importante, em 2012, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou o uso da EMTr como um procedimento médico e o aprovou para o tratamento de depressão unipolar, bipolar e esquizofrenia. Ainda em 2012, a Câmara Técnica Permanente da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) aprovou o reembolso dos convênios para o tratamento com EMTr.

Com eficácia comprovada, a EMTr é utilizada em depressões leve e moderada. Pode ser realizada para quadros graves, recorrentes, quando as medicações não surtem efeito e quando há intolerância aos efeitos colaterais das medicações. Pode estar recomendada também em outros transtornos mentais, quando há um quadro depressivo associado. A EMTr é tão eficaz quanto qualquer outro antidepressivo e está estimada entre 50 a 70% dos casos, sendo mais eficaz para casos leves, moderados e pouco refratários. Entretanto, cada caso deve ser avaliado individualmente.

A EMTr está contra-indicada para pessoas que usam algum tipo de de clip metálico localizado próximo ao local da região a ser estimulada. Em epilepsia não tratada caso seja realizada a estimulação de alta frequência.

Esta técnica tem poucos efeitos colaterais, sendo bem tolerada pelos pacientes. Algumas pessoas podem ter dor de cabeça, vermelhidão no local da aplicação, mas estas melhoram com analgésicos comuns. Desconforto no ouvido pode surgir em decorrência do barulho produzido pelo estimulador. Isto pode ser evitado com a utilização de protetores auriculares.

A Estimulação magnética é uma técnica segura. A maior preocupação é o risco da indução de convulsões, mas este risco foi reduzido com o uso criterioso desta técnica.

Conforme a resolução do CFM, a EMTr deve ser realizada exclusivamente por médicos. A EMTr é um tratamento médico por diversos fatores: influenciar as atividades neuronais, gerar alterações metabólicas e ocasionar alterações comportamentais. Ou seja é um procedimento que trata doenças, gera efeitos terapêuticos, efeitos colaterais e alguns riscos. Por isso é fundamental que as aplicações sejam realizadas por médicos e estes devem ser devidamente treinados em EMTr.

Antes de iniciar e ao longo do tratamento, o paciente deve ser avaliado pelo psiquiatra e todas as aplicações deverão ser realizadas por psiquiatras especialistas nesta área.

A EMTr é realizada no consultório médico e a pessoa fica acordada e confortavelmente sentada em uma poltrona e cada sessão dura, aproximadamente, 30 minutos, dependendo de cada caso.

As aplicações de estimulação magnética são realizadas diariamente (com intervalo nos fins de semana) até se atingir o efeito terapêutico. Após este, as sessões podem ser espaçadas gradativamente e ser realizado o tratamento de manutenção.

O número de aplicações não é padronizado. Há um certo consenso de que não deve ser previamente fixado, pois depende de vários fatores como: diagnóstico, gravidade, refratariedade e cronicidade. A maioria das pessoas requer entre 10 a 20 sessões. Geralmente, 15 aplicações são suficientes para alcançar o resultado desejado na maioria dos casos.

Durante o tratamento com a com estimulação magnética, as atividades podem ser seguidas normalmente (por ex: trabalhar, estudar).

O tratamento de manutenção está indicado quando ha uma melhora clínica, indicação do psiquiatra e vontade do paciente de continuar. Após ao término do tratamento, recomenda-se a redução gradativa das aplicações (por ex: semanal, quinzenal ou mensal, conforme a avaliação e indicação).

Em geral, a maioria das medicações pode ser continuada ao longo das sessões de estimulação magnética. Tratamentos para hipertensão, diabetes e outras doenças, a principio, devem ser mantidos.

Dra. Marina Odebrecht Rosa, CRM: 107447 – SP | RQE: 47901. Dr. Moacyr Alexandro Rosa, diretor técnico, CRM: 69816 – SP | RQE: 47876. IPAN – Instituto de Psiquiatria Avançada e Neuromodulação.

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Referências:

  • Burt T, Lisanby SH, Sackeim HA. Neuropsychiatric applications of transcranial magnetic stimulation: a meta analysis. Int J Neuropsychopharmacol. 2002 Mar;5(1):73-103.
  • Couturier JL. Efficacy of rapid-rate repetitive transcranial magnetic stimulation in the treatment of depression: a systematic review and meta-analysis. J Psychiatry Neurosci. 2005 Mar;30(2):83-90. Review.
  • Moacyr Alexandro Rosa, Marina Odebrecht Rosa. Guia Básico de Estimulação Magnética Transcraniana em Psiquiatria 2ª edição. Editora Sarvier, 2013.
  • Moacyr Alexandro Rosa, Gattaz WF, Pascual-Leone A, Fregni F, Marina Odebrecht Rosa, et al. “Comparison of repetitive transcranial magnetic stimulation and electroconvulsive therapy in unipolar non-psychotic refractory depression: a randomized, single-blind study”. Int J Neuropsychopharmacol. 2006 Dec;9(6):667-76.
  • Marina Odebrecht Rosa, Gattaz WF, Moacyr Alexandro Rosa, et al. “Effects of repetitive transcranial magnetic stimulation on auditory hallucinations refractory to clozapine”. J Clin Psychiatry. 2007 Oct;68(10):1528-32.